domingo, 28 de dezembro de 2008

ERA ASSIM O NATAL... Parte II


Entretanto, num alguidar gran­de e de lata, que todos quería­mos segurar, sem deixar espaço para a avó meter os braços, amassavam-se as filhós. Aí, todos davam opinião, a gente crescida —mais um ovo, mais azeite, têm pouco sal... Tapadinhas com um pano branco, ficavam a fintar ao pé do lume, e nós, a guardá-las sem querer arredar pé... Porque seria?
Já noite, a avó, sentada num banco, pano branco no colo, estendia a massa num joelho, levantava-a no ar—era uma roda amarela rendilhada que deita­va na panela com o azeite a
chiar... Ali mesmo, sentados nos banquitos, fingíamos que comía­mos a sopa de bacalhau, aborre­cidos de cuspir as espinhas, e então a minha avó dava licença de começar a comer as filhós — era com sacrifício que se comia uma inteira, enjoados de tanto provar e mexer na massa às es­condidas..
O sono era muito e muito o cansaço de tanto esperar pela Noite de Natal e como se chegava à meia-noite para ir à Missa do Galo não temos disso memória, mas ao toque do sino cada um ia ao seu esconderijo buscar o tostão ou o meio para deitar ao Menino.

domingo, 21 de dezembro de 2008

ERA ASSIM O NATAL ... -Parte I

Há alguns anos, um figueiroense cujo nome desconheço, partilhava no jornal "O Figueirola" o Natal em Terras de Algodres.
Era assim o Natal em casa da minha avó; e talvez fosse assim o Natal na casa da maioria das famílias, àquele tempo.
Alguns dias antes, na nossa rua, só se falava das filhós e da sopa de bacalhau por entre lamúrias e lágrimas, pois eram muitas as faltas, e mais sentidas no Natal que tocava os corações, todos mais queixosos que reconfortados, sobretudo os das mães sem o bacalhau, sem os ovos, sem o azeite...
No dia da Consoada, não sei como nem donde, a minha avó aparecia com um pouco de fermento que andava de mão em mão a ser esticadinho e repartido de modo a chegar para todos os que dele iam necessitando para amassar as filhós.
Logo de manhãzinha fora acender a pinha, como gostava de fazer, a casa duma vizinha que se levantava muito cedo, para com ela acender o nosso lume. O "lume" era assim que se dizia. Também era de manhã que se punha nele a panela de ferro onde se cozinharia a sopa de bacalhau que muitos poucos povos conhecem. Na cozinha era só fumo, não havia chaminé. Nós, sentados de cócaras ou em banquitos, estávamos já a fazer a festa mesmo com os olhos a chorar com a fumaceira. No lume estalavam as "correcodas" que nos saltavam para a roupa e para a panela da sopa. A avó não via, mas ao de cima do azeite boiavam alguns carvões e quando à noite se comia a sopa,lá apareciam eles a bater-nos nos dentes — talvez o motivo porque só muito tarde gostámos da sopa de bacalhau, e há quem ainda não goste.
UM SANTO E FELIZ NATAL
PARA TODOS OS QUE ME VISITAM, ATRVÉS DESTE ESPAÇO!

sábado, 13 de dezembro de 2008

"Ó OLIVEIRA DA SERRA!"


O frio que entretanto vai chegando, para além de me fazer lembrar a época natalícia em Terras de Algodres, recorda-me uma outra actividade a chamada "Vareja da azeitona". Esta não era (é) tão agradável como a primeira. As encostas onde as oliveiras davam à luz as azeitonas eram locais muitas vezes de difícil acesso. As cantorias das mulheres acompanhadas pelo assobio dos homens "lá em cima", transformavam o ambiente sonoro e visual das diversas propriedades. O esforço despendido e a companhia da natureza faziam com que hora de merenda fosse um momento de prazer. No final do dia, vinha o ritual de "erguer a azeitona". Apesar de penoso, era um óptimo exercício físico. O dia terminava com o regresso á "aldeia linda" guiados pelo burrito que entretanto transportava o "fruto do trabalho".

domingo, 7 de dezembro de 2008

ENERGIA ÉOLICA, O NOSSO PETRÓLEO


Num mundo em que cada vez mais se olha para a necessidade de arranjar energias alternativas às tradicionais, podemos dizer que no que diz respeito à energia eólica poderíamos ser "As Arábias" deste país à beira mar plantado, metaforicamente falando. Hoje, a encosta da Serra da Estrela encontra-se povoada de intrusos que apesar de ferirem a paisagem são uma das opções para o desenvolvimento do interior.
E as "Terras de Algodres" não possuem uma geografia propícia a este tipo de energias? Se sim, haverá algum projecto na divulgação desta mais valia para o concelho de Fornos de Algodres?
Mais uma vez, considero que este vertente geográfica, aproveitada para este tipo de projectos, bem com a vertente turística poderíam ser dois motores no desenvolvimento desta terra.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

IGREJA PAROQUIAL DE FIGUEIRÓ DA GRANJA


Com esta novas tecnologias, é possível divulgar além fronteiras o nosso património. É isso que tenho procurado fazer com ajuda da obra "Terras de Algodres" de Mons. Pinheiro Marques.

Neste mês, apresento a nossa belíssima igreja paroquial, onde fui baptizado, que possui um interíor ainda mais magnífico.

A foto irá permanecer ao longo do mês, no espaço "Em Dezembro, uma imagem, mil palavras!"

Com a porta principal virada ao poente, está situada na extremidade nordeste da povoação dentro dum adro espaçoso.

O templo primitivo, talvez da época da instituição da igreja, no século XII, deve ter sido muito simples, porventura de estilo clunisiano e românico, que é o da igreja do convento cisterciense de São João de Tarouca, a que pertencia. (...)

À direita, justa-posta à igreja, ergue-se a nova tôrre, de 22m de altura, construída a expensas da freguesia com um pequeno subsídio do Estado, em 1938.

In Terras de Algodres

Mons. Pinheiro Marques