Quinta-feira, 21 de Agosto de 2008

RAZÕES PARA A PARTIDA


Esta é um época em que muitos dos nossos emigrantes regressam à terra mãe para matarem saudades da mesma e dos seus entes queridos.
Num tempo em que a desertificação do interior é uma realidade, poder-se-á perguntar se a principal causa da saída de muitos conterrâneos da sua terra se deve simplesmente a uma questão de busca de melhores condições de vida, isto é uma razão de carácter económico. Não tenho dúvidas que antigamente esta era a causa principal. O povo diz que "o dinheiro não dá a felicidade mas ajuda". Eu concordo com a sabedoria popular. Este "ajuda" funciona como um complemento. A felicidade pode encontrar-se, muitas vezes, simplesmente com "o pão nosso de cada dia". Hoje pode haver outras razões que leva à partida. Muitas vezes verifica-se um mal estar social que leva muitos a desiludirem-se com algumas gentes e instituições das suas terras. As "guerras" mesquinhas de carácter político, social e outras leva a que muitos que gostariam de contribuir para o progresso da sua terra se desiludam e partam. Os preconceitos e o conservadorismo exagerado levam a que muitos partam.
Crie-se um ambiente propício ao bem estar interior e verificar-se-á menos "partidas" do Interior para o Exterior.
Votos de umas óptimas férias, em especial, para os emigrantes das Terras de Algodres!

Quarta-feira, 13 de Agosto de 2008

O RELVADO


Em tempo de férias, não há como recordar momentos e espaços da nossa infância onde fomos felizes. Hoje queria recordar " O Relvado". Era este o nome dado um espaço localizado à entrada de Figueiró. Era aqui que a rapaziada da minha infância rompia os sapatos, jogando à bola, num campo deveras irregular mas diferente dos outros todos: tinha relva, ou melhor erva. O nome "RELVADO", baptizado por nós, provinha desse facto. As balizas eram feitas com duas pedras. Não é por acaso que o futebol é o jogo mais democrático, pois todos podem jogá-los sem grandes gastos: um campo, uma bola, duas balizas e jogadores. Jogávamos diariamente, independentemente das condições atmosféricas. Por vezes era necessario ir buscar a bola ao cimo das oliveiras ou ao fundo do lameiro, tarefa dos mais novos. De vez em quando, lá se ouvia voz de uma mãe em busca do seu petiz. O espírito de camaradagem era uma realidade.

Pode haver bons campos de futebol, com óptimos pisos e com balizas muito coloridas.. Se não houver espírito de amizade que una os seus elementos, esses espaço, mais cedo ou mais tarde, serão condenados ao abandono e à própria detrioração.

Sexta-feira, 8 de Agosto de 2008

UMA HISTÓRIA INSPIRADA EM TERRAS DE ALGODRES NOS ANOS 60



Localizada temporalmente nos anos 60 e espacialmente em Figueiró da Granja, esta história da autoria de um leitor deste blog, revela uma grande ternura, materializada através de belos aspectos literários. Por essa razão, ousei fazer um post da mesma.
Em tempo de férias, leia e viva esta pequena história onde podemos verificar que os interesses de uma criança são bem divergentes dos interesses dos adultos.
Uma Bela Ruiva
Conheci-a quando, no café Central e a preto-e-branco, o Homem chegou à Lua.Era um espanto: linda de ruiva e sardas enormes, espertíssima e divertida.Entre a Ciência e Ela, não hesitei: Ela.A tarde inteira, juntinhos, nas escadas do alpendre, entre olhares, festinhase tabletes «Regina» (de cinco tostões) aos quadradinhos partilhadas.De costas para a NASA, declarei-me «melhor amigo d´Ela».O casal «de idade», quatro degraus acima, testemunha.A estridente birra dos meus sete anos e a evidente paixão fulminanteconvenceram, à experiência, a bênção da minha mãe.Em apoteose, partilhada com Neil Armstrong, trouxe-a para casa.A felicidade durou o resto do Verão.Até à abertura oficial da caça com o aparecimento do legítimo a declarar-lhe amor eterno e a reclamar pertença.Nunca mais vi a minha bela «Laika», cadela perdigueiro.Ao que parece, o belo alpendre também desapareceu.Talvez alguém, por celeste prerrogativa, o tenha reclamado.Imagino eu.


Domingo, 3 de Agosto de 2008

RECORDAR FÉRIAS DESPORTIVAS 99




Em tempo de férias, urge encontrar meios de ocupar a juventude local.
Aquando da passagem pela Associação Recreativa e Cultural de Figueiró da Granja, recordo uma actividade denominada "Férias Desportivas" que aliava o convívio à prática desportiva (não tenho a certeza se hoje esta actividade ainda permanece!). Este evento realizava-se na quinta do Seminário de Fornos sob a forma de acampamento.Eram muitas as actividades realizadas desde a canoagem, a passeios de bicicleta, prática desportiva no pavilhão de Fornos, passeios culturais, visionamento de filmes no cinema da vila, etc.
O rio Mondego era um dos locais eleitos para as múltiplas actividades realizadas.
No último dia, convidávamos os pais dos jovens, bem como os representantes das entidades que nos apoiavam e, "à volta da mesa", passávamos uma noite muito agradável.
De realçar que este projecto teve sempre todo o apoio das entidades locais (Câmara, Junta, Bombeiros, Seminário, GNR, Centro de Saúde, etc.) bem como do IPJ.
Apesar do grande esforço despendido, no final, sentíamo-nos compensados por verificar que a amizade e a unidade entre a juventude era cada vez maior.

Sexta-feira, 25 de Julho de 2008

UMA TERRA COM FUTURO DEVE ABRIR-SE AO EXTERIOR






Na passada semana, no âmbito de uma geminação entre uma freguesia de Viseu (S. João de Lourosa) e uma localidade francesa (Le Cerqueux), tive oportunidade de contactar com a realidade física e social francesa. Esta geminação, apoiada pela UE, possibilita a troca de experiências a vários níveis entre dois povos diferentes mas cada vez mais próximos, num mundo global em que hoje nos encontramos. A título de convidado, pois ia integrado no grupo de musica do qual faço parte "AD LIBITUM", senti um verdadeiro acolhimento e verifiquei a abertura ao mundo que estas comunidades apresentam. Numa Europa que pretendemos que seja cada vez mais dos cidadãos, urge fazer este tipo de encontros. Em Terras de Algodres, há alguma geminação com freguesias de outros países? Penso que Fornos de Algodres tem uma geminação com uma localidade francesa. Hoje em dia, uma terra com futuro não pode limitar-se a abrir-se e a associar-se com terras vizinhas. Há que fazer encontro além fronteiras e trocar experiências com outras realidades económicas, sociais, culturais, recreativas, etc.

Quanto maior for a abertura de uma terra ao exterior, maior e melhor será o seu desenvolvimento.

Segunda-feira, 21 de Julho de 2008

TUDO BONS RAPAZES: G. CAPITÃO DE ABRIL


Há pessoas nas nossas Terras de Algodres, dotadas de grandes capacidades e potencialidades que na infância sonharam em ser felizes. Aos poucos esses sonhos foram roubados.

Com a devida autorização do autor, ousei publicar este texto que relata a infância feliz de um grupo de amigos em Figueiró da Granja, há mais ou menos 40 anos atrás. O Capitão G (provavelmente muitos identificam este pseudónimo) também tinha sonhos que aos poucos, devido às circunstâncias da vida, lhe foram retirados. Humanidade e literariedade resumem este belo texto que relata um pouco a sociedade figueiroense na década de 70.Obrigado, caro anónimo por esta partilha!

Até entrar na escola primária o mundo inteiro era o meu quintal, entre muros altos e oliveiras, laranjeiras, uma figueira e um abrunheiro; percorri de triciclo as veredas enormes de flores e couves a perseguir pardais e libelinhas e a ser perseguido por Jesus, Maria e José, garantia de lugar no céu; também a aprender a ler, escrever e contar, para não ficar parvo; e depois de almoço, contrariado, fazia uma salutar sesta de «só cinco minutinhos», até ao lanche.Era um mundo governado por Salazar e pela tia A.Iniciei-me, portanto, nas amizades quando entrei para a 1ª classe, com o fascinante G. com quem privei dos sete aos doze anos.Com ele e outros ganhei competências essenciais de vernáculo e camaradagem, as Aventuras de Tom Sawyer e Huckleberry Finn e os desamores da menina de «Uma Casa Na Pradaria.»G. encostou-se ao vinho aos 13 ou 14 anos, onde ficou a vida inteira, e só a sua extraordinária robustez permitiu que a bebedeira envelhecesse até o fígado patinar no Outono passado.Recordo, especialmente, o Verão Quente e a Nossa Tropa, com a recruta ganha na «ferraria», nas «poldres» e «catraia», à cata de bufos, pides, latifundiários e demais fascistas, por tabernas e mercearias de Figueiró, com o revolucionário propósito de um divertido enxovalho. Reencontrei-o em Setembro último e, amarelo de icterícia, avisou-me grave: «...isto...desta vez...»Desta vez e ao contrário de todas as outras, não houve Verão Quente, «Uma Casa Na Pradaria» ou Mark Twain.Voltarão, certamente.Um abraço, Capitão G.

Domingo, 13 de Julho de 2008

Depois do Jornal "O FIGUEIROLA", porque não um Jornal "TERRAS DE ALGODRES"?


Há 9 anos atrás, o Jornal " O Figueirola", orgão oficial da Associação Recreativa e Cultural de Figueiró da Granja, noticiava assim as II Jornadas Recreativas e Culturais de Figueiró da Granja.
Este jornal, para além de dar notícias das actividades da associação, era um meio de transmitir as vivências em Figueiró da Granja (nascimentos, casamentos, baptizados, "notícias da nossa terra", etc.). Possibilitava também a troca de ideias sobre os mais variados temas. Recordo os artigos de opinião sobre a Regionalização do Dr. José Miranda, Presidente da Câmara (PSD) e do Eng. Carlos Costa (PS), então vereador. As participações do Jornalista aposentado de "O Comércio do Porto", O sr. Aníbal Pacheco bem como do Dr. Veiga que infelizmente já não se encontra entre nós. A nossa cultura também não era esquecida com alguns excertos da obra "Terras de Algodres". Alguns reparos também eram feitos, como foi o caso da capela da Copacabana que então estava totalmente em ruínas mas que hoje está recuperada.
Penso que um projecto destes, a nível concelhio (com correspondentes das diversas freguesias), tornaria um concelho mais unido, possibilitando a divulgação de tudo o que de bom se faz e existe em Terras de Algodres bem como a promoção das suas gentes e uma maior ligação com todos aqueles que apesar de distantes, sentem a sua terra.
Daria a possibilidade às diversas forças políticas locais (de uma forma mais visível) manifestarem as suas ideias e os seus projectos. Com isso, o cidadão estaria melhor informado para votar de acordo com a sua consciência aquando das eleições.
A democracia no concelho ficaria a ganhar!
TERRAS DE ALGODRES seria um nome interessante para um projecto como este.
Haja alguém que lidere um projecto desta índole e terá aqui um colaborador, se assim o desejar!