domingo, 26 de outubro de 2008

RECUPERAR PARA SERVIR


Cada vez mais, vão surgindo nas janelas das casas das nossas aldeias a palavra "Vende-se". Em Figueiró, e perto da minha rua, são várias as que se encontram nessa situação. Por vezes, vão caindo aos poucos, já que o comprador desejado não surge. Será que não há qualquer programa governamental ou camarário que incentive à compra e conservação destes imóveis?
Por vezes, surgem alguns imóveis que pela sua localização e pela sua história poderiam e deveriam ser adquiridos pelas Câmaras e Juntas para aí colocar serviços de interesse público (sede da Junta, museu, pequena casa da saúde, casa da juventude,etc). Por vezes, talvez ficasse mais barato do que construir de raíz...
A casa representada na imagem, se estivesse à venda, aparentemente (não conheço por dentro), não seria um belo local para colocar a Sede da Junta de Freguesia de Figueiró da Granja? Encontra-se junto ao Pelourinho e à Capela do Mártir S. Sebastião. Associado a esta localização, há a realçar a estrutura e beleza desta casa de pedra e o facto do trânsito ser pouco, devido à variante. É uma opinião, talvez utópica, mas nada mais que isso...

sábado, 18 de outubro de 2008

MUSEU DE ARTE SACRA EM FIGUEIRÓ


Por iniciativa do Pe. Virgílio Marques, meu antigo colega de seminário e actual pároco de Figueiró, hoje esta freguesia pode orgulhar-se de ter um pequeno museu de arte sacra. Em boa hora, foi feita a recolha de vários elementos de cariz religioso que havia na sacristia e na casa paroquial. Depois de algumas adaptações na chamada "sala de reuniões", esses objectos, após catalogação, foram colocados nesse mesmo espaço em expositores para serem apreciados e estudados. Paramentos antigos, crucifixos, imagens, livros, estátuas em madeira são alguns dos motivos de interesse que este local oferece.

Urge divulgar este espaço e colocá-lo no roteiro do vasto património concelhio.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

LAGE DA BRÁZIA


Há sítios na nossa terra que devido à sua beleza merecem ser recordados e divulgados. Mons. Pinheiro Marques descreve-nos com uma grande sensibilidade o lugar bucólico de "Lage da Brázia". Como já referi em artigos anteriores, poder-se-iam fazer belos percursos pedestres pelas encostas e vales da nossa terra.

"No sítio, antigamente chamado Barrocal do Outeiro da Boiça, a que hoje se dá o nome de Lage da Brázia, descobre-se também um panorama encantador. O espectáculo é deslumbrante de beleza incomparável; dir-se-ia, uma visão fantástica. Do alto do rochedo, onde se chega sem esforço, o terreno quebra-se, quase a prumo, sobre o vale, onde, entre prados esmaltados de verdura, desliza o ribeiro da Carvalha, ladeado de freixos e amieiros, que se remiram na cristalina corrente.

Céu diáfano e leve, ar translúcido, impregnado do perfume ácre e resinoso dos pinheiros e do odor suave e doce das vinhas; a paisagem, toda nitidez e claridade, dum enternecedor bucolismo, é cheia de cor, resplandecente de sol, cheia de vida; cenário maravilhoso, como num sonho feérico de fadas!

Aqui e além, nas assentadas dos lameiros, homens de trabalho labutam infatigáveis na sua faina agrícola. Os engenhos chamados picanços, como cegonhas de longo colo, gemem ao impulso vigoroso de braços musculosos, erguendo-se e abaixando-se em movimentos rítmicos, a extrair a água dos poços, como ave sequiosa levantando e abaixando a cabecita a beber à beira dum regato."

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

UMA PINTURA COM PALAVRAS DE UM AMANHECER EM TERRAS DE ALGODRES

Ontem, talvez muitos de nós tenhamos vivenciado esta pintura com palavra. Hoje, infelizmente, com a desertificação do interior já começam a ser raros estes cenários.

Amanhecia na aldeia. Pestana após pestana, a menina do olho do Sol visitava novamente esta terra observada ao longe pela Estrela. Advinhava-se mais um dia tórrido. Por isso, a labuta na terra começava muito cedo. Os homens dirigiam-se para as propriedades, acompanhados pelos burritos que transportariam o fruto do trabalho. Os picanços eram içados vigorosamente pelos braços dos homens. As mulheres, com as saias arregaçadas indicavam o caminho ao líquido que iria refrescar a terra e saciar a sede à preciosa flora. O som dos motores de rega reflectiam o poder económico do proprietário. Ao longe a sinfonia democrática de um melro alegrava o coração dos humanos.