quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

HINO DE FIGUEIRÓ DA GRANJA




Figueiró
Minha aldeia linda,
Duma graça infinda
Que a todos seduz


Foi Deus
Que no seu amor
Te manchou de cor
Te inundou de luz!

De noite, se brilha a lua,
Adorável fantasia!
Parece que cada rua
Tem mais luz e alegria.

Reclinada docemente
Na encosta da colina
Olhas a serra de frente
Por entre o véu da neblina

Solitárias capelitas,
Sentinelas vigilantes,
São os olhos com que fitas
Os lugarejos distantes

São pobres os monumentos
Da nossa aldeia singela;
Mas nos nossos pensamentos
Não há outra como ela.

Tem foral, tem pelourinho
A atestar a sua nobreza
Tem o azeite, tem o vinho
Tem o pão da nossa mesa.

Por isso te quero tanto
Meu Figueiró adorado;
Quis em vida o teu encanto;
Na morte: teu chão sagrado!


Prof. Pinheiro Marques






Para que não se esqueça, aqui deixo o Hino de Figueiró da Granja. Neste texto poético podemos ver o amor do seu autor por esta bela freguesia. Este seria um óptimo texto a leccionar nas nossas escolas. Vejam-se os recursos estilísticos utilizados para expressar o sentimento por uma terra: Personificação, "Olhas a serra de frente"; Metáfora, "Solitárias capelitas,/Sentinelas vigilantes", etc.
Podemos ver, neste texto, uma bela pintura com palavras desta freguesia das Terras de Algodres!







segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

USOS E COSTUMES EM TEMPO QUARESMAL


"Também durante a quaresma até domingo de Páscoa há o uso de um homem e uma mulher, ordinariamente pessoas solteiras, se mandarem rezar. Engancham os dedos mínimos um no outro dizendo: "enganchar enganchar, domíngo de Páscoa hei de te mandar rezar, reza". Aquele que foi mandado rezar, depois do sol posto, fica com o cepo e o que ficar com o cepo em domingo de Páscoa, tem de dar ao outro as amêndoas".

in, Terras de Algodres, Mons. Pinheiro Marques



Apesar de não me considerar muito velho, fiz a leitura deste texto da obra "Terras de Algodres" e recordo os meus tempos de infância em percorríamos as ruas da aldeia para mandar rezar aqueles com quem tínhamos "Enganchado". Era muitas as peripécias que se faziam para não ficarmos com o cepo. Esses usos e costumes faziam com que os genuínos laços de amizade se solidificassem e entre os membros da freguesia houvesse um verdadeiro clima de família. Receio que actualmente este uso não seja tão frequente pelas Terras de Algodres. Seria bom que a escola e a família fizesse renascer estes usos e costumes que fazem parte da história de um povo.

Caro leitor, se tem alguma história engraçada relacionada com este tema. partilhe-a!

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

OS DEPUTADOS DA REPÚBLICA E A PROMOÇÃO DO QUEIJO DA SERRA


Aproxima-se a Festa/Feira do Queijo da Serra, em Fornos de Algodres. Através deste espaço, presto a minha homenagem a todos os produtores deste genuíno queijo. Urge aproveitar a singularidade deste produto e promove-lo quer no país quer no estrangeiro. Na assembleia da República e no Parlamento Europeu há momentos e espaços para fazer essa promoção. O que é feito dos deputados que nos representam na Assembleia da República? Tinham aqui uma óptima oportunidade de, em sintonia com as autarquias e produtores, divulgarem o queijo da Serra em geral e o de Fornos de Algodres em particulares. Veja-se o papel do denominado "Deputado do Queijo Limiano" na promoção deste produto da sua região! Por vezes, fica-se com a sensação que os nossos representantes na assembleia só aparecem nestas festas, não com o objectivo primeiro de promover o produto, mas sim promover a sua imagem pública. Raramente aparecem no terreno a integrar-se dos problemas da população! É a impressão que tenho, provavelmente errada!

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

A LEITURA E AS NOVAS TECNOLOGIAS AO SERVIÇO DA POPULAÇÃO LOCAL


Fazendo uma leitura dos jornais regionais do distrito da Guarda, tenho-me deparado com alguns projectos interessantes que o concelho vizinho, Aguiar da Beira, tem realizado. Hoje queria destacar o seguinte título: "Aguiar da Beira leva Livros às aldeias".Este projecto faz-me lembrar o meu tempo de infância, quando a carrinha da Gulbenkian nos visitava possibilitando-nos criar hábitos de leitura, aumentando, consequentemente a nossa cultura geral. É evidente que o projecto da Câmara vizinha não é um projecto original, todavia seria interessante que no no concelho de Fornos houvesse uma maior sensibilidade para a área cultural, motivando os jovens, idosos e população em geral para a leitura, bem como outras actividades culturais. Para além das escolas, os lares de idosos poderiam ser outros espaços onde haveria muito "clientes" para este tipo de projectos. Paralelamente à área da leitura, este projecto poderia ser complementando com a utilização das novas tecnologias. Numa terra em que há tantos emigrantes, em que muitos dos nossos idosos têm familiares na diáspora e alguns deles já não os vêem há algum tempo, porque não, através da INTERNET, comunicar e visualizar os seus entes queridos que pela França, Brasil, EUA, Alemanha foram em busca de melhores condições de vida. Para muitos dos nossos idosos, esta contacto semanal ou mensal com os seus familiares dar-lhes-iam momentos de muita felicidade.Presumo que em todas as juntas de freguesias do concelho há uma ligação à Internet!
Numa população cada vez mais idosa o bem estar físico deve ser complementado com o bem estar psicológico e a leitura, outras actividades culturais e as novas tecnologias podiam tornar as gentes da nossa terra um pouco mais felizes. Haja sensibilidade, por quem de direito, para esta área cultural!

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

SENSIBILIZAR + DIVULGAR = A INVESTIR E DESENVOLVER AS TERRAS DE ALGODRES


Como todos verificamos, a grande dificuldade dos concelhos do interior é a fixação de pessoas.Esta resulta, na maior parte das vezes, da saída das mesmas da terra que os viu nascer, em busca de melhores condições de vida.Já todos chegámos à conclusão que a falta de indústrias e outros sectores de empregabilidade leva ao abandono das terras. No inquérito realizado no meu blog, 73% dos votantes era de opinião que a area do turismo poderia ser uma das saídas para o desenvolvimento das terras de algodres. Este inquérito vale o que vale, todavia reflete um pouco também a minha opinião em que o valor paisagístico e patrimonial poderiam potenciar investimentos nesta área. Já agora, destaco o CIHAFA, um espaço muito bem conseguido que nos dá uma visão muito interessante da história do nosso concelho. Como captar investimentos para esta área?Considero que a instituição mais habilitada para fazer este "namoro" aos empresários é a Câmara Municipal, haja um verdadeiro interesse por parte da mesma. A realização de folhetos, vídeos e publicidade àquilo que de melhor existe no nosso concelho (Queijo, Serra da Esgalhada, Castro de Santiago, Alto de Algodres, Património,etc.). Hoje há tantos meios de fazer passar a mensagem! Seguidamente há que ser mais pragmáticos, fazendo passar a mensagem, dialogando com os nossos emigrantes naturais do concelho que se ditinguiram empresarialmente e sensibilizá-los e motivá-los a investirem no concelho que os viu nascer. Estes devem estar na primeira linha, pois o valor sentimental é uma mais valia na sensibilização ao investimento e desenvolvimento.Há que procurar saber se existem esses empresários e ir «à procura deles».Se precisamos temos ir à procura.Seguidamente há que divulgar e solicitar audiências com as grandes empresas, se estes não nos solicitam, urge solicitá-los nós com um projecto. Perto de nós, temos a VISABEIRA que tem feito alguns investimentos em concelhos vizinhos, na área do turismo. Apesar de focar especialmente o turismo, esta ideias aplicam-se também à vertente industrial.

Provavelmente não estou ser original, todavia nunca é de mais falar e lembrar estas questões, mesmo correndo o risco de já estarem a ser levadas à prática algumas destas sugestões.
Num mundo globalizante, ou nos movemos para o exterior e jogamos o que de melhor possuímos, ou corremos o risco de ficarmos na cauda do desenvolvimento, apesar das condições que possuímos.

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Um poema, uma mensagem social


Nas minhas lides de docente, surgem textos com os quais nos identificamos. Assim, seleccionei para este fim de semana, o poema de Sophia de Mello Breyner Andresen "Porque" que retrata muito bem a mentira em que o ser humanos, por vezes, vive. As aparências, as "habilidades" e o medo de falar e de arriscar faz as sociedades infelizes e pouco desenvolvidas. Neste "tu" eu tenho presente todos os meus leitores e todos os beirões que, por natureza, acreditam nos valores da liberdade, verdade e solidariedade.

Porque

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.

Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

Sophia de Mello Breyner Andresen
“No Tempo Dividido e Mar Novo”, Edições Salamandra, 1985, p. 79