segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

USOS E COSTUMES EM TEMPO QUARESMAL


"Também durante a quaresma até domingo de Páscoa há o uso de um homem e uma mulher, ordinariamente pessoas solteiras, se mandarem rezar. Engancham os dedos mínimos um no outro dizendo: "enganchar enganchar, domíngo de Páscoa hei de te mandar rezar, reza". Aquele que foi mandado rezar, depois do sol posto, fica com o cepo e o que ficar com o cepo em domingo de Páscoa, tem de dar ao outro as amêndoas".

in, Terras de Algodres, Mons. Pinheiro Marques



Apesar de não me considerar muito velho, fiz a leitura deste texto da obra "Terras de Algodres" e recordo os meus tempos de infância em percorríamos as ruas da aldeia para mandar rezar aqueles com quem tínhamos "Enganchado". Era muitas as peripécias que se faziam para não ficarmos com o cepo. Esses usos e costumes faziam com que os genuínos laços de amizade se solidificassem e entre os membros da freguesia houvesse um verdadeiro clima de família. Receio que actualmente este uso não seja tão frequente pelas Terras de Algodres. Seria bom que a escola e a família fizesse renascer estes usos e costumes que fazem parte da história de um povo.

Caro leitor, se tem alguma história engraçada relacionada com este tema. partilhe-a!

9 comentários:

Amaral disse...

João Paulo
Também me lembro das "rezas", as coisas que se faziam para evitar encontrar a pessoa enganchada.
Depois, depois era esperar ser o primeiro a mandar rezar no Domingo de Páscoa e receber as amêndoas.
É pena que tradições como esta se percam; podem criticar-se, mas serviam para solidificar amizades.
Boa semana
Abraço

al cardoso disse...

Lembro-me muito bem mas, ja foi ha tanto tempo que deixei as nossas terras!
Outro costume tambem em desuso na quaresma, era o "jogo da pela", sem duvida estas tradicoes deveriam ser reatadas, mas como tenho dito muitas vezes a juventude cada vez e menos e com a falta dela falta a vida e perdem-se tradicoes. Estamos a ficar um povo sem alma, cultura ou tradicao e, quando isso se perde a identidade do nosso povo!
Algo se tem que fazer para inverter a situacao, porque nao e muito animadora!

Um abraco de amizade dalgodrense.

rameixions disse...

por acaso aí está uma tradiçao que eu nao conhecida de todo.
mas é bom ficar a conhecer o que nos ficou num passado, que afinal de contas nao está assim tao distante.

=)

Anónimo disse...

Para Reflectir!

Celebrar a Páscoa é exaltar a Vida!

A Páscoa é a “festa das festas”; é a festa da libertação, a passagem da morte para a vida; é o centro da vida e da fé dos cristãos. Em cada ano, para os cristãos, a grande festa acontece com a Páscoa, considerada o grande domingo.

A palavra Páscoa vem do hebraico Pessach, que significa ressurreição, vida nova. Os antigos hebreus foram os primeiros a comemorar a Páscoa, que possui diversos significados. Em termos históricos, ela celebra a libertação dos hebreus da escravidão no Egipto e a passagem através do Mar Vermelho. Livres, eles passaram a formar um povo com uma religião e um destino comuns. É com o sentido de libertação que, até hoje, os judeus celebram esta festa.
Os cristãos também comemoram a Páscoa. No entanto, o significado da festividade é diferente no cristianismo. Nela, celebra-se a Ressurreição de Jesus Cristo que, segundo a bíblia, teria ocorrido três dias depois da sua crucificação. Ela é a principal festa para os cristãos e, provavelmente, uma das mais antigas, pois surgiu nos primeiros anos do cristianismo. Ainda que todos os domingos do ano sejam destinados pelas igrejas cristãs de todo o mundo à celebração da ressurreição de Cristo (o que é feito por meio da eucaristia), no domingo de Páscoa, esse acontecimento ganha destaque, já que se festeja uma espécie de aniversário da ressurreição.
A Páscoa é uma data móvel, que acontece anualmente entre 22 de Março e 25 de Abril. A Páscoa muda cada ano devido à relação que tem com a Páscoa judaica e as diferenças entre o calendário judeu e o nosso. Os judeus comem o cordeiro pascal na véspera do 15 de Nisan (o primeiro mês do calendário judeu). Jesus celebrou a Páscoa (o último jantar) segundo o costume judeu, ou seja, o 14 de Nisan, morreu na cruz o 15 de Nisan e ressuscitou no domingo seguinte, que nesse ano foi o 17 de Nisan. O calendário judeu é lunar, e o nosso solar, o que complica bastante as coisas. Por exemplo, o calendário tem 354 dias. Para fazer um ajuste, os judeus inseriram um mês no seu calendário. Isto deu lugar a numerosas controvérsias sobre a data para a celebração da Páscoa. Nos primeiros tempos, os cristãos de origem judaica continuaram a usar o calendário judeu para a Páscoa: A sexta-feira santa celebravam-na a 15 de Nisan e a Páscoa de ressurreição a 17 de Nisan (fosse ou não domingo). No resto do império romano, no entanto, tomou-se em consideração que Jesus historicamente ressuscitou no domingo e todos os domingos se celebra à festa da Ressurreição. Por isso optou-se por celebrar a Páscoa no primeiro domingo depois da primeira lua cheia depois do equinócio de Primavera. O equinócio é o ponto da órbita da Terra em que se registra uma igual duração do dia e da noite. O Primeiro Concílio de Niceia (325) decretou que a prática romana deve observar-se em toda a Igreja. Os ortodoxos celebram a Páscoa noutra data porque seguem o calendário Juliano (ortodoxo russo).
Para se compreender melhor esta festa anual é necessário contextualizá-la conhecendo a estrutura do Ano Litúrgico da Igreja:
O Ano Litúrgico está organizado em ciclos festivos, onde se quer celebrar primordialmente o mistério da vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo, a herança histórico-litúrgica do povo hebreu, a vida e a fé dos primeiros seguidores de Jesus e a nossa vida de seguidores da herança recebida. Assim sendo, temos o ciclo do Natal, o tempo Comum e o ciclo da Páscoa.
Ciclo do Natal: o ano litúrgico começa com o advento. A característica do advento é a preparação para celebrar o nascimento de Jesus, a encarnação do Verbo, a presença de Deus no meio de nós. Esse tempo litúrgico termina com a festa do Natal, celebrada no dia 25 de Dezembro. A festa do Natal estende-se até às celebrações da epifania (dia de Reis) e do baptismo de Jesus. Tempo Comum: nele acontece a maior parte das celebrações. Situa-se entre o Tempo do Natal até o início da Quaresma e após o Tempo da Páscoa até o início do Advento. Além da festa semanal (domingo) e da festa anual (Páscoa), o ano litúrgico comporta outras festas que são dedicadas a Maria, aos apóstolos, aos mártires, aos santos padroeiros... Ciclo da Páscoa: para bem celebrar a “festa das festas” que é a Páscoa, existe um período de preparação a Quaresma. A Quaresma inicia-se na quarta-feira de cinzas e constitui-se num período forte de oração, penitência e conversão. Depois dos 40 dias quaresmais, há a semana santa que se inicia no Domingo de Ramos, atingindo o seu ponto alto com o Tríduo Pascal. O tríduo fundamenta-se na unidade do mistério pascal de Jesus Cristo, que compreende sua paixão, morte e ressurreição. Deste modo, celebra-se de quinta para sexta-feira a “Paixão”, de sexta-feira para sábado a “Morte”, e de sábado para domingo a “Ressurreição”. A festa da Páscoa contínua ainda por mais 50 dias até ao Pentecostes.

Celebrar a Páscoa significa tornar célebre um acontecimento marcante da história da Humanidade: a Ressurreição de Jesus Cristo. O acto de celebrar faz parte da vida humana, é uma ruptura da rotina quotidiana. Deve compreender-se a celebração como uma dimensão lúdica da vida que extrapola o tempo e o espaço. Celebrar é comemorar, isto é, actualizar na memória algo em comunhão com alguém. Em todos os tempos e lugares, homens e mulheres de todos os meios e níveis sociais, de todas as culturas e religiões, costumam realçar, ao longo da existência, aspectos fundamentais da vida individual, familiar, social e religiosa. A história já vivida por alguém, grupo ou país é outra razão pela qual se celebra. Aqui surgem os diferentes tipos de celebrações: cívicas, sociais, religiosas...Na religião a celebração ocupa um espaço privilegiado. No contexto da religião cristã, a celebração consiste na memória do acontecimento fundador do Povo de Deus, isto é, a morte e ressurreição do Senhor (PÁSCOA), que se perpetua na História a salvação que Cristo veio trazer a todos. Em toda e qualquer celebração o centro é a Vida. Celebra-se a vida. A vida provoca e faz acontecer a celebração que, por sua vez, compreende uma simples festa de aniversário até um facto que envolva todo o mundo. O ponto central da vida cristã é o Mistério Pascal. Por mistério pascal compreendemos a presença de Deus no meio do seu povo na pessoa de Jesus, desde a sua encarnação até à ressurreição. A Páscoa envolve toda a vida de Cristo, de todos os cristãos e de toda a Humanidade. A Páscoa de Cristo é o centro da História da salvação.
Celebrar a Páscoa é exaltar o valor da Vida!

JPCLEMENTE disse...

Caro Anónimo!
Agradeço-lhe a bela reflexão que nos apresenta.Na verdade, as tradições, os usos e costumes que vão surgindo são um arrastamento do verdadeiro significado da Páscoa:" A festa da Vida".
Passe mais vezes e partilhe as suas reflexões comigo e com os leitores deste blog.
JPC

al cardoso disse...

Caro Anonimo:

Provavelmente ate sei quem e, mas como quer manter o anonimato esta bem!

So lhe quero dar os meus parabens por esse excelente comentario, que devia ser era um artigo e ser publicado, pois tem tanta informacao que a maioria dos cristaos nao sabe que seria de muita utilidade!

Um abraco dalgodrense e que D*us nos ajude a viver bem esta epoca!

Nuno Neves disse...

Sou de Figueiró e digamos que ultimamente tenho mais orgulho em dizer que sou de Figueiró da Granja. Para mim a "reza" era a telha. Não me lembro da enganchada. Eu lembro-me de andar com bocados de telha na cabeça ou à noite andar sobre os beirados das casas por causa da telha. Eu acho que para mim era assim a Páscoa e ganhar amêndoas grátis. Bons tempos.

Nuno Neves

Francisco Pina disse...

Lembro-me também das rezas, da enganchada e da historia da telha e de andar por baixo dos beirais, para não me poderem mandar rezar, ou seja, pregar o cepo (creio que era assim que se designava). Também me lembro do jogo da "péla", que era praticado nesta altura. Tal jogo começava no Domingo de Pascoa e prolongava-se por uma série de domingos, mas não recordo qual era o último domingo em que era jogada. Este jogo, era um grande momento de convívio especialmente, entre os jovens e proporcionava também uma maior aproximação entre rapazes e raparigas.

al cardoso disse...

Caro Francisco Pina:

O jogo da "pela" iniciava-se no primeiro Domingo da Quaresma e prolongava-se por todos os domingos desse tempo de penitencia!
E razao principal deste jogo, era manter a juventude ocupada nas tardes de Domingo, porque nao se podia fazer bailaricos nem nenhuma festa em que houvesse musica, por ser tempo de penitencia!
Esta actividade era muito usada pela nossa gente e, ate a ela assistiam e nela participavam, os proprios sacerdotes!
Uma outra actividade principalmente usada na "terra quente" do concelho de Fornos, era a romaria de Nossa Senhora dos Milagres que desde tempos imemoriais acontece sempre no dia 25 de Marco, portanto dentro da epoca quaresmal.

Um abraco de amizade dalgodrense.