segunda-feira, 21 de julho de 2008

TUDO BONS RAPAZES: G. CAPITÃO DE ABRIL


Há pessoas nas nossas Terras de Algodres, dotadas de grandes capacidades e potencialidades que na infância sonharam em ser felizes. Aos poucos esses sonhos foram roubados.

Com a devida autorização do autor, ousei publicar este texto que relata a infância feliz de um grupo de amigos em Figueiró da Granja, há mais ou menos 40 anos atrás. O Capitão G (provavelmente muitos identificam este pseudónimo) também tinha sonhos que aos poucos, devido às circunstâncias da vida, lhe foram retirados. Humanidade e literariedade resumem este belo texto que relata um pouco a sociedade figueiroense na década de 70.Obrigado, caro anónimo por esta partilha!

Até entrar na escola primária o mundo inteiro era o meu quintal, entre muros altos e oliveiras, laranjeiras, uma figueira e um abrunheiro; percorri de triciclo as veredas enormes de flores e couves a perseguir pardais e libelinhas e a ser perseguido por Jesus, Maria e José, garantia de lugar no céu; também a aprender a ler, escrever e contar, para não ficar parvo; e depois de almoço, contrariado, fazia uma salutar sesta de «só cinco minutinhos», até ao lanche.Era um mundo governado por Salazar e pela tia A.Iniciei-me, portanto, nas amizades quando entrei para a 1ª classe, com o fascinante G. com quem privei dos sete aos doze anos.Com ele e outros ganhei competências essenciais de vernáculo e camaradagem, as Aventuras de Tom Sawyer e Huckleberry Finn e os desamores da menina de «Uma Casa Na Pradaria.»G. encostou-se ao vinho aos 13 ou 14 anos, onde ficou a vida inteira, e só a sua extraordinária robustez permitiu que a bebedeira envelhecesse até o fígado patinar no Outono passado.Recordo, especialmente, o Verão Quente e a Nossa Tropa, com a recruta ganha na «ferraria», nas «poldres» e «catraia», à cata de bufos, pides, latifundiários e demais fascistas, por tabernas e mercearias de Figueiró, com o revolucionário propósito de um divertido enxovalho. Reencontrei-o em Setembro último e, amarelo de icterícia, avisou-me grave: «...isto...desta vez...»Desta vez e ao contrário de todas as outras, não houve Verão Quente, «Uma Casa Na Pradaria» ou Mark Twain.Voltarão, certamente.Um abraço, Capitão G.

1 comentário:

al cardoso disse...

Adorei ler este artigo pela primeira vez num comentario, bem haja por lhe dar mais realce num artigo.

Para os dois um grande abraco de amizade dalgodrense.