quinta-feira, 3 de abril de 2008

Uma varanda sobre o Vale do Mondego e sobre a Serra



Cada vez mais, todos estamos de acordo que a alternativa para o desenvolvimento das Terras de Algodres passa pela vertente turística. O próprio executivo Camarário diz que tem projectos para esta área. Mais uma vez venho realçar a necessidade de divulgar o Castro de Santiago. Este possui condições para a construção de um empreendimento turístico, como acontece na Senhora do Castelo em Mangualde ou em outros locais com paisagens deslumbrantes.
Na encosta do Castro de Santiago encontramos este espaço que a foto 1 apresenta e que poderia ser aproveitado para a construção do tal empreendimento turístico. É evidente que em princípio não cabe à Câmara a sua construção. Todavia, esta poderia e deveria divulgar e criar condições que motivasse os investidores, tendo em conta a especificidade desse local. Seria uma bela varanda sobre o vale o Mondego e sobre a Serra da Estrela!

5 comentários:

Anónimo disse...

Sonhar é possível!...
Mas a realidadee è esta:
"PODE ALGUÉM LEMBRAR-SE DELES?
Um dia uma terra acorda e não tem estação da CP; outro dia não tem estação dos correios; noutro, ainda, não tem centro de saúde, nem escola, nem posto da GNR, nem camionetas de carreira. ........
Há nisto uma racionalidade evidente. Mas há, também, uma desumanidade gritante.
As pessoas não são são números, não podem ser contabiliazados como mera estatística. Se é verdade que por motivos pedagógicos não pode haver escolas com menos de um determinado número de alunos e se é verdade que, por motivos técnicos, as urgências de saúde não podem estar onde as populações querem, também as populações não têm de estar onde dá jeito ao Estado.........
.....
Um país não pode pura e simplesmente abandonar parte dos seus habitantes." in EXPRESSO

Amaral disse...

João Paulo
A divulgação por vezes não é feita por ignorância, porque não dá votos.
Bom fim-de-semana
Abraço

P.S. Passa pelo meu blog e deixa lá o teu nome e morada (depois apago o comentário, podes fazer o mesmo a este se quiseres) para te enviar um convite para o lançamento do meu novo livro.

Anónimo disse...

Já que se fala do CASTRO DE SANTIAGO,

aqui vão alguns dados cronológicos dos trabalhos de escavação
realizados no mesmo,
sob a orientação do Arqueólogo António Carlos Neves de Valera:



"1986 - Neste texto apresenta-se, após uma breve caracterização geográfica da área, um primeiro levantamento de informações bibliográficas e de terreno sobre vestigíos arqueológicos do concelho da Pré-História até à Idade Média. A apresentação segue uma sequência cronológica, dividida em três grandes períodos os quais, de acordo com a informação disponível, poderão ou não ser sub-divididos em unidades cronológicas ou temáticas mais restritas.

1988 - Trabalhos de limpeza, topografia e prospecção arqueológica: iniciaram-se os trabalhos com a desmatação da densa vegetação que cobria a área central deste povoado. Seguidamente foi implantada uma quadrícula por metro quadrado, orientada a Norte e cobrindo toda a superfície central do castro. Procedeu-se então à limpeza superficial do terreno acompanhada por uma recolha sistemática de materiais por m2. Simultaneamente procedeu-se ao levantamento da planta desta área central e da muralha que a limita a sul.

1989 - Abriram-se sondagens em dois sectores: no sector A, correspondendo à área com maior incidência de materiais de superfície, no sector B de modo a obter um corte tranversal junto à muralha, averiguando a técnica de construção empregue, bem como a sua relação com o espaço interior por ela delimitado. A análise do corte permite confirmar que a muralha consiste numa construção dupla com fosso intermédio, sendo construída aparentemente em rampa (interior e exterior), com a utilização de pedra não aparelhada e terra extremamente arenosa. No fosso ambos os troços apresentam faces bem definidas e grandes blocos de granito como contrafortes. A muralha assenta em grande parte num nível que forneceu materiais calcolíticos. No seu interior foi igualmente recolhido fragmentos cerâmicos do mesmo horizonte cultural. Recolheram-se amostras para análises radiocarbónicas.


1990 - No sector A concluiu-se a escavação da área aberta em 1989, até à rocha base. Foi aberto um novo sector (C) no extremo este do recinto central, junto a um dos penedos graníticos formando como que um pequeno abrigo. Aqui identificaram-se algumas estruturas. O sector D corresponde a uma área no exterior do recinto central a ESE, junto a uma possível segunda linha de fortificação, onde foi aberta uma pequena sondagem. Não foram detectadas estruturas, nesta área. Foram tomadas medidas de conservação e valorização e simultaneamente divulgação com a utilização de manga plástica, construção de acessos ao recinto central para receber visitantes, aplicação de cimento na base de muro para consolidação e exposição de material exumado, no hall da Câmara Municipal de fornos de Algodres.

1991 - Continuação da escavação no sector C. Detectou-se aqui valas até ao substracto rochoso, provavelmente correpondente a sondagens realizadas por Pinheiro Marques em 1926. Detectaram-se igualmente duas estruturas habitacionais denominadas cabana 2 e 3. No sector B foi escavado o fosso entre os dois troços de muralha. Foi assim possível confirmar o carácter duplo da muralha principal em parte do seu traçado e criar algumas analogias estatigráficas com o interior do recinto (sector C). Foi aberto um novo sector (sector E), com uma área de cerca de 20 m2. Foi detectado um empedrado que constitui um autêntico "chão". À semelhança da campanha passada procedeu-se a acções de preservação dos vestígios exumados com manga plástica e sedimentos crivados, bem como à limpeza da área da cabana 1, e à restauração da estrutura central da cabana 3 com a fixação das lages que a compunham."

(continua no próximo comentário)

Anónimo disse...

CASTRO DE SANTIAGO (continuação)

"1992 - Continuação da escavação do sector C, alargando-o para S na área da muralha e para N até aos penedos que aí delimitam o recinto central. Este alargamento permitiu reafirmar a existência de dois níveis de ocupação calcolítica bem diferenciados, o que parece confirmar que pelo menos o troço interno da muralha é construído no segundo momento. No sector E, localizado na área central do referido recinto, foi igualmente alargado a área para N e NE.Finalmente iniciou-se a escavação do sector F junto à muralha no exterior do recinto central, onde se confirmou que a ocupação calcolítica se terá efectuado igualmente fora do dito recinto. Procedeu-se ainda à limpeza da área restaurada do sector A e ao restauro parcial das estruturas habitacionais do sector C.


1993 - Foi dada continuidade à escavação da estrutura da fortificação iniciada em 1992, abrangendo sensivelmente metade do troço de muralha interno e uma parte do troço de muralha externo. Assim unificaram-se os sectores C e B (cerca de 232 m2 de área escavada). Na muralha interna foi identificada a porta e um possível bastião. A ocupação estende-se para fora da fortificação não estando ainda completamente esclarecido se é anterior ou contemporânea à sua construção. No sector E a área foi alargada para Norte e Este. Procedeu-se à limpeza das áreas restauradas dos sectores A e C e ao escoramento de algumas partes da estrutura de fortificação postas a descoberto.

1994 - Visando a compreensão do funcionamento da estrutura defensiva e a articulação da sua construção com as fases de ocupação já identificadas no interior do recinto central, procedeu-se à escavação integral da estrutura exterior (M2) e ao alargamento para Este da escavação da estrutura interior (M1) Estas estruturas encontram-se assim quase integralmente escavadas. Foi igualmente concluída a escavação das áreas adjacentes pelo interior a M1 e pelo exterior a M2. Como acção de conservação e divulgação, algumas das áreas foram cobertas de novo com os sedimentos crivados e gravilha (sector E) e parte dos espaços entre os dois troços da muralha algumas estruturas foram reforçadas, e implantou-se uma placa explicativa do sítio, integrada no roteiro arqueológico do concelho.

1995 - A primeira fase dos trabalhos foi dedicada à limpeza do sítio arqueológico, a segunda a algumas acções de restauro e consolidação de estruturas e ao levantamento de uma planta geral do sítio, de modo a permitir a visualização das características específicas do povoado, com integração dos vários penedos e dos sectores já escavados. Na última fase, iniciou-se a escavação do sector H, localizado entre os dois penedos que a Norte delimitam o recinto central, onde se detectava à superficie vestígios de uma estrutura. Assim foi identificada a base de um troço de muralha que fecharia o pequeno espaço em cunha entre os penedos, estrutura designada por muralha 3 (M 3). Para Noroeste identificou-se vestígios de muro sobre um dos penedos. Confirmou-se a existência de muralha também sobre os penedos fechando por completo o espaço.

2004 - Identificou-se um troço de muralha e uma porta na área intervencionada, estas duas estruturas são de cronologia calcolítica, possivelmente contemporânea das ocupações do recinto interior."

al cardoso disse...

Eu adoraria ver recuperado para o turismo, a antiga aldeia ou Povoa do Crasto; recuperar as construcoes ainda existentes e, construir outras dentro dos moldes antigos!
Nao e uma ideia original e por vezes os actuais proprietarios, que deixaram chegar tudo a ruina, nao cooperam porque pensam que tem ali uma furtuna.
No entanto quem sabe, uma promocao municipal das nossas aldeias abandonadas, nao iria trazer progresso e principalmente gente, que e do que estamos mais pobres!

Mas se calhar e coisa que nao interessa aos politicos.