sexta-feira, 28 de março de 2008

ENTRE A SERRA E O MAR





A vida das pessoas dá muitas voltas. Sabemos onde nascemos mas o local onde vamos viver e onde vamos morrer depende da vários condicionalismos: familiares, profissionais e outros. Eu tenho o privilégio de ter nascido no vale do Mondego (Figueiró da Granja, Terras de Algodres), com uma vista única da Serra da Estrela (Foto1). Devido à minha vida profissional e familiar, hoje vivo junto ao mar, onde tenho a oportunidade de assistir espectáculos como a foto 2 documenta. Independentemente do local onde vivamos, a terra que nos viu nascer, onde vivemos a nossa infância e a nossa juventude jamais se esquece. O local onde vivemos dá-nos a oportunidade para fazer paralelismos com a nossa terra natal e desejar um maior desenvolvimento para a mesma. Os contributos genuínos das gentes das Terras de Algodres que vivem no exterior (ideias, sugestões, investimentos, críticas construtivas,etc.) deverão ser sempre uma mais valia para uma terra. Num mundo globalizante, o futuro de uma terra depende do contributo das gentes que vivem nessa terra mas depende também da abertura às sugestões genuínas quem vêm do exterior, começando por aqueles que apesar de longe sentem a sua terra com o coração.

3 comentários:

Anónimo disse...

Da SERRA… AO MAR!...

Ao sopé de uma gigantesca serra, conversando amistosamente, estavam a Águia e a Tartaruga. Falavam sobre superar limites, e atingir objectivos. A Águia, poderosa rainha dos ares, dizia não haver lugares inatingíveis, e nem metas que não pudesse alcançar. A envergadura de suas asas permitia que fosse a qualquer lugar. Era soberana e tinha a segurança que apenas tem, quem sabe do seu real potencial.

A meiga Tartaruga, a quem a paciência já havia ensinado grandes lições, falava sem pressa. Contava sobre pequenos detalhes, que, ao longo de sua caminhada, haviam entrado pelos seus olhos, e marcado seu coração. A Águia, sempre sedenta por aventuras, propôs um desafio à Tartaruga. Subiriam à serra, para lá do alto, ver o mar. Queria mostrar à sua amiga, o tamanho real do mundo. O horizonte visto do alto, era de uma beleza ímpar. Empolgada, descreveu o aprendizado que sua alma faminta, já assimilara. A Tartaruga, conhecendo a velocidade de seus passos, soube que este desafio muito lhe custaria. Talvez a metade de sua existência. Mas, queria ver o que havia lá no alto.

Olharam-se, sorridentes, e começaram a sua aventura. O farfalhar das asas da Águia, ergueu poeira, e em instantes, sumiu das vistas da Tartaruga. E esta, movendo-se no ritmo que lhe fora conferido pela vida, foi subindo lentamente. Seu corpanzil pesado tinha muita dificuldade para se mover naquele terreno irregular. Durante o trajecto, muitas vezes tropeçava na falta de experiência, e rolava morro abaixo. Mas, depois de se refazer, recomeçava a caminhada. O trilho era estreito, e muitas vezes, ela parava para dar passagem a outros animais, que subiam ou desciam, e sempre gentil, oferecia-lhes seu sorriso.
Alimentava-se da vasta vegetação, e o seu paladar provou novos sabores. Alguns amargos, mas outros absurdamente tenros e macios. Olhando ao redor, para não perder nenhum detalhe, deu-se conta de que havia flores, ornamentando o caminho, e estas, com o seu perfume, derramavam alento, dentro de seu coração. Enquanto a Tartaruga se empenhava em subir, tendo muito cuidado com as quedas, a Águia, há muito já alcançara o topo. Aliás, não demorara quase nada, e agora, no alto de uma frondosa árvore, perguntava quanto tempo levaria a Tartaruga, para vir ter com ela.

Esperou dias e noites. E aquela paisagem, sempre encantadora, foi tornando-se cansativa, e ela ansiou sair dali. Precisava levantar voo, traçar novas metas. Tinha sido tão fácil chegar, e agora perguntava-se porque incentivara a pobre Tartaruga a subir. Não seria possível esperar por ela. A vida agitava-se dentro das suas veias, e estagnar significava matar o seu espírito. Morreria, se ficasse. Precisava de estar em constante movimento, para que as suas asas não atrofiassem. Olhou para baixo, e nem sinal da Tartaruga. Então, o seu chiar forte, cortou o silêncio, enquanto ela cortava o céu, e voou dali.

Anos mais tarde, completamente exausta, chegou a Tartaruga ao topo. Durante este tempo todo, enquanto caminhava, e quando o cansaço minava as suas forças, era nas palavras da Águia que ela pensava. Veria algo novo. Veria um novo mundo. E este pensamento foi o seu alimento. A cada vez que quase sucumbia, tentava visualizar aquele horizonte, descrito pela Águia, e então, cantarolante, começava tudo outra vez.

Seus passos eram constantes. A subida não lhe conferira uma nova velocidade. Muitas vezes, havia sido muito duro, olhar para o alto, e ver o quanto ainda faltava. Então, ela olhava para os lados. E olhava atrás de si. E, orgulhosa constatava que, mesmo que morresse ali, que jamais atingisse 0 seu objectivo, jamais na sua vida, havia feito algo igual.

Faltava pouco agora, para que conhecesse um mundo novo. Mais alguns arbustos e estaria no topo da serra. Seu coração batia apressado, seu corpo tremia de ansiedade e nervosismo. Então, a cortina abriu-se . Tudo o que vivera até então, não se comparava ao que estava a sentir. Lá estava o horizonte encontrando-se com o mar gigante. Ambos se tocavam, numa suave carícia, e o Sol, nascia da união dos dois, saindo, todo matreiro, de dentro do mar, e erguia-se sobre a Terra.

Nesta hora, duas lágrimas suaves, brotaram nos olhos da Tartaruga. Mentalmente agradeceu à Águia, pelo incentivo que lhe dera. Sabia que não a encontraria ali. Sempre soubera. A Águia plantara dentro dela, um par de asas gigantes. Apostara em sua persistência, e graças a ela, a Tartaruga tornara-se única, entre todas as Tartarugas.
Com um suspiro emocionado, recolheu-se dentro de seu casco, e dormiu serenamente.

rameixions disse...

sem duvida que este blog e um desses grandes contributos.
=)
abraço e boa continuaçao do blog.

Amaral disse...
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