sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Uma Noite de Natal nas Terras de Algodres


Na noite de Natal, a aldeia transmitia um aroma diferente. Era uma noite especial. Os vizinhos levavam uns aos outros presentes, fruto do seu trabalho na terra. Alguns ofereciam aquela garrafa de azeite que temperava as batatas, as couves, a sopa de natal e o bacalhau que nessa noite era rei. Outros ofereciam o vinho que aquecia o coração dos homens e os tornavam meninos, ,à semelhança daquele que sendo Deus se fez homem.A Ceia de Natal era o grande momento de ternura entre as famílias.

A lareira tornavam o ambiente acolhedor e lembrava às crianças que à meia-noite era necessário colocar o sapatinho, pois o Pai Natal iria chegar pela chaminé e deixar aquelas meias que iríamos calçar no dia de Natal; ou aqueles pequenos chocolates representando o Pai Natal, as renas ou pequenos carrinhos delicosos.

Na torre, davam-se as primeira badaladas, recordando que à meia-noite haveria a missa do galo.

Após o manjar, as nozes e as avelãs ajudavam a passar o tempo até à meia noite, o jogo das cartas era outra alternativa. Os rapazes iam-se juntando à fogueira e conversavam animadamente, acompamhados por uma bebida festiva.

Na igreja, começava a novena do menino. A letra da música "Vinde já, ó Deus menino, vinde alegrar os mortais...", era cantada exuberantemente pelas crianças. O Sr. Abade preparava-se para a celebração da missa. Por vezes, era comum aparecer aquela figura típica, que muitas vezes vivia muito só e naquela noite, fruto da companhia de um "copo a mais", causava um burburinho no decorrer da celebração.Também isso começava a ser uma tradição da missa do galo.

A noite termina cantando e beijando o Deus Menino que se fez homem para nos salvar.

O frio era atenuado pela felicidade interior, fruto da paz e da humanidade que se viveu ao longo da noite.


PARA TODOS AQUELE QUE ME TÊM VISITADO, DESEJO UM SANTO E FELIZ NATAL!

7 comentários:

Amaral disse...

João Paulo
Faço votos para que este Natal te seja agradável na companhia dos que mais amas e que 2008 te traga tudo de bom, pois mereces.
Abraço

al cardoso disse...

Como o meu amigo Joao, e de outra geracao a si e aos outros da sua idade ja era o Pai Natal que dava os presentes. Eu ainda sou do tempo em que essa figura nao existia em Terras de Algodres, e era o menino Jesus que nos punha as prendas no sapato!
Tambem muito me recordo dessas missas do galo a meia noite, que agora tendem a celebrar as 10 horas da noite e nalguns sitios ainda mais cedo.
Tenho muitas saudades do senhor abade que faleceu ja eu estava nos "States" com quem tive conversas animadas e comi alguns petiscos, sao estas coisas que me dizem que comeco a ficar velho, isso e as dorezitas pelo corpo, a mente essa esta tao nova como a 25 anos atraz! (digo eu)

Um enorme abraco de Boas Festas, para si sua familia, todos os nossos conterraneos e bem assim todos os leitores.

Carlos de Matos disse...

Caro Amigo Figueirense

não tive a ocasião de comentar ultimamente por sobrecarga de trabalho e agora estou de férias, mas ao ler o seu artigo ja me via em Forninhos daqui a dois dias e so posso me manifestar... A sua descricção do Natal ainda é real nas nossas terras... esse convivio traz-nos nessa quadra a regressar as raizes porque o natal é diferente por outras terras... Arranco amanhã para Portugal e passarei por Fornos no dia 24 de manhã, não sei se é dia de feira ou não. Gostaria de o encontrar e porque não beber um jeropiga caseira nesses proximos dias se estiver disposto e discutir de viva voz. Claro beberemos e brindaremos com um pensamento especial para o Albino que se encontra longe da nossa terra mas tão perto nas saudades ;o)) Mandarei-lhe o meu telemovel por email afim de facilitar o contacto.

Aqui ficam os meus votos para todos nessa altura onde a familia os amigos tomam um sentido unico.
Santo e feliz Natal para todos.

Abraço amigo e natalicio ;o))

pensarfornos disse...

Amigo Carlos:
Teria todo o gosto em conversar consigo, acompanhados por uma geropiga ou por um bom Dão. Todavia, este ano passarei o natal em casa dos meus sogros, em Vila do Conde.
Não faltará a oportunidade de nos reunirmos à volta de uma mesa e partilharmos muitas das ideias que são comuns.
Votos de um Santo Natal, em Forninhos ou em Penaverde, na companhia da família.
Um abraço amigo
Jpclemente

notoj@l disse...

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_______Sinceridade★Estima★.Fraternidade
______Equilíbrio★Dignidade★...Benevolência
_____Fé★Bondade_Paciência..Gratidão_Força
____Tenacidade★Prosperidade_.Reconhecimento
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CAMPANHA,VAMOS FAZER ESTA ÁRVORE CIRCULAR
ATÉ AO FIM-DE ANO PARA ENERGIZAR 2008!!

rameixions disse...

é incrível como sinto verídica esta história, ao encontrar-me eu nos tempos de hoje, a vivê-la.
sorri ao ler estas palavras, pois encontro nelas uma ternura intensa de quem as escreveu como se ainda hoje as vivesse. parabéns pela fantástica descrição do que é o natal nesta pequena mas enorme aldeia, parabéns pela forma como se traduz este blog, em energia positiva para todos aqueles que ainda acreditam na emancipação destes pequenos e por vezes esquecidos locais.

agá disse...

Era só para retibuir os teus vostos: um novo ano excelente!
Já agora passa pelo meu blog que está aind a crescer. A temática há-de interessar certamente.
Nós somos também a terra donde vimos...

montes-herminios.blogspot.com

Hermínio Pinto