domingo, 11 de maio de 2008

TÓ MATOS, UM EXEMPLO DE DEDICAÇÃO A FIGUEIRÓ DA GRANJA (Partes I e II)


ANTÓNIO MATOS, O EMIGRANTE DESEJOSO DE REGRESSAR

Entrevista ao Sr. António Matos, emigrante em França e tão acarinhado pelas gentes de Figueiró. O se amor pela pátria está bem patente nesta entrevista.

O Figueirola - Em que ano é que foi para França? Que idade tinha?
António Matos - Fui para França em 1977, quando tinha 22 anos.
F. - Qual foi o motivo que o levou a ir para o estrangeiro?
A.M. - Quando casei, a minha esposa já lá estava. Havia dificuldades em arranjar emprego em Portugal e então decidi ir para França.
F.- Antes de ir para a França, o que é que fazia?
A.M.- Fui como voluntário para a Força Aérea, onde estive 3 anos. Aí, fiz parte da banda de música. Recebia um salário muito pequeno, mal dava para os botões.
F.- Após a sua chegada a França, sentiu algumas dificuldades. Quais?
A.M.- No princípio, senti algmas. A principal dificuldade residia no facto de eu não saber a língua francesa. No entanto, estas foram superadas gradualmente por causa do contacto com a minha esposa que já sabia falar a língua e dos contactos no emprego que me obrigavam a falar a língua estrangeira.
F.- Em nenhum momento da sua estadia lhe apeteceu deixar tudo para trás e voltar para Portugal?
A.M. - O primeiro ano foi difícil. Tive de esperar que legalizasse a minha situação em França. Esta só foi conseguida depois de estar um ano na França e depois de ter de ter vindo a Portugal por mais três meses. Só aqui foi possível então arranjar papeis que levei para França para me passarem outros para poder lá estar. Portanto, muitas vezes me apeteceu deixar tudo e voltar para Portugal, pois estive um ano sem trabalhar e se papeis.
F.- Vinha muitas vezes passar férias a Portugal? O seu modo de vida era aqui era semelhante ao de lá? Quais as diferenças?
A.M.- Não, embora no início tivesse dois anos consecutivos sem vir. Aqui tudo era diferente, sentia-me no meu país, fazia o que queria sem dificuldades económicas. Na França, tinha de se levar uma vida mais recatada. E também temos de ver que normalmente as pessoas nas férias não se privam de determinadas coisas. Férias são férias!
F.- Alguma vez pensou ficar pelo estrangeiro, organizar lá a sua vida, e não mais voltar para Portugal?
A.M.- Não! A minha ideia foi sempre regressar, pois é o sonho da maior parte dos emigrantes.
F.- De certo conheceu lá outros casais portugueses. Eles pensam sempre em regressar a Portugal ou conhece alguns casos em que ficam por lá?
A.M. - Alguns ficam por lá para não abandonarem os filhos e estes os estudos. Optam por fazer lá uma casa e fazer lá a sua vida.
F.- Quando estava por lá, o que é que mais lhe lambrava, quando pensava em Portugal?
A.M.- Pensava muito na família, nos amigos e na minha terra: Embora não tivesse nascido em Figueiró da Granja, considero-a a minha terra.
F.- Sem ser a parte monetária, o que é que mais lhe agrada na França?
A.M.- Não tenho saudades de nada a não ser aquilo que ela me proporcionou ganhar.
F.- Sei que tem uma paixão especial pela música. Teve de abdicar um pouco dessa vida para trabalhar em França ou conseguiu conciliar as duas actividades?
A.M. - Consegui ter as duas coisas. Durante a semana, tinha o meu emprego e no fim-de-semana tocava e cantava num bar em Genebra.
F.- Quais os motivos que o levam a regressar?
A.M. - Não contava vir tão depressa mas devido ao meu estado de saúde, vi-me obrigado a regressar.
F.- Se pudesse voltar atrás, teria ido novamente para França? Não foi tempo perdido?
A.M. - Teria ido novamente. Não foi tempo perdido. Aqui, não teria organizadotão bem a minha vida e tenho que lembrar que antigamente, não havia tanto emprego como há hoje em dia em Portugal.
F.- Pensa que se tivesse ficado em portugal, não teria mais saúde e as mesmas condições de vida?
A.M.- Não, de maneira nenhuma.
F.- Descreva-me um pouco a vida do emigrante nos anos 70/80 quando foi para França e agora nos anos 90?
A.M.- Neste momento, há muito mais possibilidades de emigrar. Antes havia era mais oferta de emprego do que hoje. Hoje em dia o desemprego é flagrante, no entanto, há muitas ajudas para estes desempregados.
Para terminar, apenas queria dizer que embora tivesse tido muitas dificuldades no estrangeiro, posso agradecer à França todas as condições favoráveis que tenho hoje em dia.

2 comentários:

al cardoso disse...

Sem duvida e eu digo por mim proprio, o desejo de qualquer emigrante e regressar a sua terra, por vezes com muito bem disse o "To Matos" os filhos obrigam-nos a mudar de ideias, mas temos a nossa terra no coracao.
O meu maior desejo era que de ora em diante, ninguem necessita-se de sair da sua terra para puder melhorar o seu nivel de vida, pois nela pude-se encontrar oportunidades para realizar todos os seus sonhos!

Um abraco ao "To Matos" e a todos os figueiroenses, com muita amizade dalgodrense.

Campeoes, campeoes.....!!!!

Luís disse...

É sempre bom registar aqueles que depois de partirem para outras paragens, optam por regressar às suas terras, enriquecendo-as com as suas vivências e muitos saberes adquiridos.