quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

"TERRAS DE ALGODRES" de Mons. Pinheiro Marques, uma obra histórica e literária



Ao longo destes dias, tenho tido algum tempo para me dedicar a algumas leituras. Deste modo, tenho relido, com mais atenção, a obra "Terras de Algodres" de Mons. Pinheiro Marques. Como ele próprio refere, esta foi a primeira monografia concelhia do distrito da Guarda. Há alguns tempos atrás estivemos na primeira linha em alguns aspectos (o mesmo aconteceu, relativamente à sede concelhia).


Paralelamente à riqueza histórica e cultural, verificamos, na mesma, a presença de uma literariedade deveras interessante. A descrição que ele faz das várias freguesias e da própria sede de concelho é toda ela feita de uma adjectivação muito rica associada com figuras de estilo, como a metáfora, a comparação, a personificação, etc. Eis como ele descreve a antiga vila de Figueiró: "Suavemente reclinada na encosta do Outeiro, entre arvoredos verdejantes e sicomoros floridos, a vila, constantemente beijada pelas dôces emanações de frescura que lhe envia o ribeiro da Fonte, que desliza, remansoso e cristalino, a seus pés, entre os milharais pujantes do Prado e as hortas viçosas da Lavandeira, a vila, ia eu dizendo, é bonita, higiénica, bem arejada, cortada de ruas bem lançadas e atravessada NS pela estrada de macadam".
Sendo assim, esta obra pode muito bem ser estudada como documento histórico e como documento literário. Considero que a divulgação desta obra seria uma mais valia na consciencialização e divulgação do nosso viver e do nosso sentir. Muitos dos nossos jovens não conhecem a história da sua terra, tão bem documentada em "Terras de Algodres".A escola é o local previlegiado para dar a conhecer a nossa história e os usos e costumes dos antepassados. Há muitos documentos e dados históricos, presentes na obra, que poderiam muito bem ser elementos de motivação para o ensino da história nas nossas escola. Os programas de Língua Portuguesa abordam géneros de textos como as Lendas e os Contos Tradicionais. Nesta obra podemos encontrar estes géneros de textos. Em vez da Lenda "As mendoeiras em Flôr" (presentes nos manuais escolares), porque não leccionar a lenda da moura encantada, relativa ao sítio da Torre em Figueiró da Granja, ou outras? Paralelamente a este textos tradicionais a descrição que o próprio autor faz dos vários locais é digna de um estudo literário.
Há que divulgar e estudar esta obra!
Entidades locais, ofereçam aos alunos, pelos menos àqueles que se encontram no ensino secundário esta obra. Penso que todas as escolas possuem, nas suas pequenas bibliotecas, esta obra... Poder-se-iam leccionar tantos conteúdos programáticos da escola, tendo por base esta obra!

Há que apostar na divulgação da cultura local ! Esta obra poderia muito bem ser a fonte inspiradora para um programa cultural do concelho. Para cada época do ano, há actividades tradicionais que poderiam e deveriam ser levadas a cabo tanto na sede do concelho, envolvendo as freguesias, quer nas próprias freguesias.

Já agora, e por curiosidade e sem qualquer ponto de ironia, há alguma rua ou praça em Fornos, denominada "Rua Mons. Pinheiro Marques"? Em Figueiró, penso que não há. Desculpem a minha ignorância!
Penso que esta obra é merecedora de um "bem haja" de todos os que amamos as Terras de Algodres.

3 comentários:

al cardoso disse...

Caro Joao Paulo:

Concordo com a sua ideia de melhor divulgar o "Terras de Algodres", nas escolas e nao so.
Tambem temos que concordar que durante a primeira metade do seculo XX, o concelho mas principalmente a vila de Fornos atinjiu enorme desenvolvimento e era uma das melhores vilas do distrito, mas sabe nessas alturas tinhamos gente, chegamos a ter no concelho perto de 12000 habitantes, e a verdadeira riqueza de uma terra sao as pessoas.
Presentemente temos muitos equipamentos e cada vez menos gente a servir-se deles, ja sao menos de 6000, os habitantes no municipio. Era isto que eu gostaria de ver inverter pois com as gentes e que vem o verdadeiro progresso!
Quanto do nome do Monsenhor Pinheiro Marques numa rua da vila, creio que ja existe, embora neste momento nem lhe possa dizer onde e, no entanto a sua terra natal, essa sim esta-lhe em divida, e umna excelente ideia, porque nao lembra-la ao presidente da junta?
Isto levar-nos-ia para o tema da toponimia que eu ja abordei, varias vezes no "Aquid'Algodres".
Sera que custa assim tanto dar o nome as novas ruas de Fornos? E porque tambem nao; a Escola Secundaria e as Escolas Basicas?
E tambem nestas pequenas coisas, que se conseguem sem gastar milhoes, que de ve uma vila moderna!

Um abraco.

al cardoso disse...

Caro Joao Paulo:

Gostaria do seu comentario ao ultimo "post" do "Aquid'Algodres".

Um abraco.

José Sidónio M. Silva disse...

Boa jp

gostei do blog...quanto ao do adlibitum já divulguei mas a malta parece que tem muito que fazer e nada..um abraço..vai dando noticias
sidonio