domingo, 16 de novembro de 2008

A ARTE POPULAR EM MUTAÇÃO!



Foi com alguma surpresa que verifiquei este novo "monumento" a norte do termo da freguesia, alguns metros antes de se cortar para o Castro de Santiago. Este cruzeiro, penso eu, encontrava-se junto a um caminho rural que fazia ligação do largo do Outeiro à "Carvalha". Não sei quais foram os critérios que estiveram na base desta mutação. Se o objectivo era dar mais visibilidade a esta arte popular, haveria outros locais na freguesia onde essa visibilidade poderia ser maior!... Todavia, quero acreditar que foi com as melhores da intenções que se fez esta mudança. De certeza que houve algum estudo, por parte de historiadores e profissionais ligados à história da arte. Na minha opinião de leigo na matéria, considero que, só em caso de degradação e risco de roubo se devem retirar estes objectos artísticos dos seus locais originais!

domingo, 9 de novembro de 2008

A VARIANTE


Com o melhoramento da estrada nacional 330 e com a nova variante, Figueiró ficou a ganhar. O trânsito que actualmente atravessa a freguesia é diminuto. Este facto torna a nossa aldeia ainda mais bonita e mais ecológica. Há a salientar positivamente o facto de terem substituído o alcatrão pelos paralelos, transmitindo assim uma imagem mais típica de uma aldeia beirã.
A abertura desta nova variante deveria também servir para abrir rasgos no desenvolvimento, a começar nos espaços limítrofes a esta.
Como já foi referenciado neste e noutros blogs, só é pena que não tivesse havido pressão política para que se construisse uma saída da A25 para esta estrada nacional o que iria valorizar muito mais a nossa terra e a de concelhos limítrofes.

sábado, 1 de novembro de 2008

UMA HISTÓRIA, UMA MENSAGEM


"A festa da aldeia realizava-se todos os anos em Junho. Este ano, o poder local rapidamente se disponibilizou para liderar este evento. As boas relações entre poder e igreja permitiam um casamento feliz.
O Sr. Bernardino liderava a Junta desde o 25 de Abril, há 20 anos. O tacto político que verdadeiramente possuía, tornavam-no respeitado porque temido. Na sua vida profissional não triunfara. Possuira um pequena empresa de madeiras que rapidamente foi à falência. A sua prima do coração era uma assídua da igreja. Por isso, funcionava um pouco como a assessora para os assuntos religiosos. Na verdade, a sua função era demasiado importante para a permanência no poder.
A reunião era no cartório do Sr. Padre Jorge.
- Boa noite, Sr. Abade!- saudou o Presidente da Junta.
- Ora viva! Com vai o governo da nação, melhor, da freguesia? - perguntou o padre.
-Muito trabalho! Para se contentar o povo, é necessário fazer mais malabarismos que o circo do Zé Castrim! - brincava o autarca.
-As eleições aproxima-se! Há que começar a trabalhar!- aconselhava afavelmente o abade.

- Está tudo controlado! - exclamava o representante da freguesia.
- Não diga isso! Olhe que o seguro morreu de velho.
- acautelava o sr. abade.
- Não há ninguém que tenha a coragem de me enfrentar! Tenho tudo nas minhas rédeas, não é Sr. Feliciano?- perguntou o presidente ao tesoureiro da Junta, o Carlos.

- Tem sido esse o segredo para ganhar as eleições. Os potenciais candidatos fogem logo. Por isso, tem sido um belo passeio, a ida à urnas. - concordava o fiel tesoureiro.
- Ouvi dizer que este ano vai ser diferente! A oposição está a organizar-se.
- alertava o Padre.
- Isso acontece sempre mas na "hora h" desistem!
- Ria-se o Sr. Bernardino.
- Olhe que não! Este ano eles vão lá!

O Presidente da Junta ficou tenuamente pensativo mas rapidamente passou ao que interessava: a festa na aldeia, como preparação para ganhar as eleições. Este ano a festa em honra de São Pedro tinha que arrasar!..."

domingo, 26 de outubro de 2008

RECUPERAR PARA SERVIR


Cada vez mais, vão surgindo nas janelas das casas das nossas aldeias a palavra "Vende-se". Em Figueiró, e perto da minha rua, são várias as que se encontram nessa situação. Por vezes, vão caindo aos poucos, já que o comprador desejado não surge. Será que não há qualquer programa governamental ou camarário que incentive à compra e conservação destes imóveis?
Por vezes, surgem alguns imóveis que pela sua localização e pela sua história poderiam e deveriam ser adquiridos pelas Câmaras e Juntas para aí colocar serviços de interesse público (sede da Junta, museu, pequena casa da saúde, casa da juventude,etc). Por vezes, talvez ficasse mais barato do que construir de raíz...
A casa representada na imagem, se estivesse à venda, aparentemente (não conheço por dentro), não seria um belo local para colocar a Sede da Junta de Freguesia de Figueiró da Granja? Encontra-se junto ao Pelourinho e à Capela do Mártir S. Sebastião. Associado a esta localização, há a realçar a estrutura e beleza desta casa de pedra e o facto do trânsito ser pouco, devido à variante. É uma opinião, talvez utópica, mas nada mais que isso...

sábado, 18 de outubro de 2008

MUSEU DE ARTE SACRA EM FIGUEIRÓ


Por iniciativa do Pe. Virgílio Marques, meu antigo colega de seminário e actual pároco de Figueiró, hoje esta freguesia pode orgulhar-se de ter um pequeno museu de arte sacra. Em boa hora, foi feita a recolha de vários elementos de cariz religioso que havia na sacristia e na casa paroquial. Depois de algumas adaptações na chamada "sala de reuniões", esses objectos, após catalogação, foram colocados nesse mesmo espaço em expositores para serem apreciados e estudados. Paramentos antigos, crucifixos, imagens, livros, estátuas em madeira são alguns dos motivos de interesse que este local oferece.

Urge divulgar este espaço e colocá-lo no roteiro do vasto património concelhio.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

LAGE DA BRÁZIA


Há sítios na nossa terra que devido à sua beleza merecem ser recordados e divulgados. Mons. Pinheiro Marques descreve-nos com uma grande sensibilidade o lugar bucólico de "Lage da Brázia". Como já referi em artigos anteriores, poder-se-iam fazer belos percursos pedestres pelas encostas e vales da nossa terra.

"No sítio, antigamente chamado Barrocal do Outeiro da Boiça, a que hoje se dá o nome de Lage da Brázia, descobre-se também um panorama encantador. O espectáculo é deslumbrante de beleza incomparável; dir-se-ia, uma visão fantástica. Do alto do rochedo, onde se chega sem esforço, o terreno quebra-se, quase a prumo, sobre o vale, onde, entre prados esmaltados de verdura, desliza o ribeiro da Carvalha, ladeado de freixos e amieiros, que se remiram na cristalina corrente.

Céu diáfano e leve, ar translúcido, impregnado do perfume ácre e resinoso dos pinheiros e do odor suave e doce das vinhas; a paisagem, toda nitidez e claridade, dum enternecedor bucolismo, é cheia de cor, resplandecente de sol, cheia de vida; cenário maravilhoso, como num sonho feérico de fadas!

Aqui e além, nas assentadas dos lameiros, homens de trabalho labutam infatigáveis na sua faina agrícola. Os engenhos chamados picanços, como cegonhas de longo colo, gemem ao impulso vigoroso de braços musculosos, erguendo-se e abaixando-se em movimentos rítmicos, a extrair a água dos poços, como ave sequiosa levantando e abaixando a cabecita a beber à beira dum regato."

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

UMA PINTURA COM PALAVRAS DE UM AMANHECER EM TERRAS DE ALGODRES

Ontem, talvez muitos de nós tenhamos vivenciado esta pintura com palavra. Hoje, infelizmente, com a desertificação do interior já começam a ser raros estes cenários.

Amanhecia na aldeia. Pestana após pestana, a menina do olho do Sol visitava novamente esta terra observada ao longe pela Estrela. Advinhava-se mais um dia tórrido. Por isso, a labuta na terra começava muito cedo. Os homens dirigiam-se para as propriedades, acompanhados pelos burritos que transportariam o fruto do trabalho. Os picanços eram içados vigorosamente pelos braços dos homens. As mulheres, com as saias arregaçadas indicavam o caminho ao líquido que iria refrescar a terra e saciar a sede à preciosa flora. O som dos motores de rega reflectiam o poder económico do proprietário. Ao longe a sinfonia democrática de um melro alegrava o coração dos humanos.

BEIRA ALTA: USOS E COSTUMES EM TEMPO QUARESMAL...

"Também durante a quaresma até domingo de Páscoa há o uso de um homem e uma mulher, ordinariamente pessoas solteiras, se mandarem reza...