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terça-feira, 2 de setembro de 2008

QUEM CANTA AS NOSSAS CANTIGAS?


Um outro elemento importante na cultura dos povos é a sua música e as suas cantigas. Estas serviam muitas vezes de bálsamo para os homens e as mulheres que trabalhavam as terras. Li numa jornal regional que em Aguiar da beira foi criado um grupo que tem feito recolha e divulgação da música popular do seu concelho. Em Terras de Algodres, verifica-se que este aspecto da cultura popular não está a ser explorado. Os ranchos folclóricos foram desaparecendo. Há dez anos atrás, em Figueiró, começou por aparecer um grupo de música popular que rapidamente se extinguiu. As "politiquices baratas", muitas vezes, só destroem aquilo que é essencial. Para além de "Os Capelenses" não sei se existe mais algum grupo de música popular em "Terras de Algodres".

Antigamente, no Rancho Folclórico de Figueiró da Granja, liderado pelo Sr. Albano Oliveira cantava-se assim:

O meu Coração é Terra


O meu coração é terra

Hei-de o mandar lavrar

Semeá-lo de desejos

de quem por mim perguntar.


Ref:

Toma lá dá cá

Dá cá toma lá

O meu coração

Arrecada-o lá.


Dei um ai, tu não ouviste

Dei outro não deste fé

O meu coração é teu

O teu não sei de quem é.


Ref.


Ai, ai, meu amor ai, ai

Quem der um ai, alivia

Em certas ocasiões

Se não desse um ai morria.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

O S. JOÃO EM TERRAS DE ALGODRES



Se S. João soubesse

Quando é o seu dia

Vinha do céu à terra

Com prazer e alegria


Eis como Mons. Pinheiro Marques descreve O S. João em Terras de Algodres:

Nas vésperas, os rapazes e até homens casados e mulheres, vão aos montes colher rosmaninhos e bela-luz, que conduzem em molhos e gabelas. À noite, depois da ceia, acendem-se fogueiras na rua, cada um na sua testada, alimentados exclusivamente de rosmaninhos e bela-luz, que inunda de perfume o ambiente. Em volta da mística fogueira armam-se bailaricos e canta-se em honra do santo.

In Terras de Algodres, Mons. Pinheiro Marques
A foto apresenta o convívio que a juventude de então, há dez anos atrás, fazia junto ao pelourinho de Figueiró da Granja.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

O ASSOCIATIVISMO, UM COMPLEMENTO NA FORMAÇÃO ESCOLAR



Durante muitos anos, só tinham acesso a uma escolaridade média ou superior, aqueles que provinham de uma família abastada ou, quando isso não acontecia, para muitos o seminário era a solução. Hoje em dia, graças a democratização da nossa sociedade, verificamos que o acesso ao ensino está aberto a quem o desejar, havendo por isso uma maior verdade nas vocações e profissões que as pessoas abraçam. Graças a isso, nas nossas aldeias e vilas, a escolaridade básica e média está generalizada e são já alguns que surgem com as suas habilitações de índole superior.
Paralelamente à formação escolar, há uma outra vertente que complementa a formação da pessoa humana. Esse complemento é feito através da participação activa em movimentos, associações, clubes, grupos de música, etc. Na verdade, é também aqui que os pais devem apostar na formação dos seus educandos. Abrir-lhes as portas para colocarem ao serviço dos seus semelhantes as suas potencialidades e, ao mesmo tempo, receberem os contributos que os outros oferecem.
Nesta formação complementar, há entidades que não deverão fugir às suas responsabilidades, são as entidades oficiais (Governos, Câmaras, Juntas de freguesia, etc). Verificamos, algumas vezes, que para alguns políticos, atribuir este ou aquele subsídios acontece em função do número de votos que daí possam advir. Muitas vezes, o agir político é feito não em função das pessoas mas sim em função da carreira política pessoal. Os nosso governantes, quando atribuem subsídios, limitam-se a gerir o dinheiro que é de todos nós.
As poucas associações recreativas, culturais e desportivas existentes no nosso concelho possuem um papel importante no complemento da formação que os nossos jovens recebem em casa e na escola. Cada vez mais, é importante que elas mantenham a sua autonomia e não estejam ao serviço de outros interesses que não sejam, contribuir para a formação complementar da pessoa humana.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

O "ZÉ DAS ISCAS"




A cultura de um povo está também naquelas pessoas e naqueles espaços que marcaram a nossa infância e eram referências gastronómicas no concelho e até no distrito. Refiro-me aos Sr. José, conhecido por todos o "Zé das Iscas", que infelizmente já não está entre nós. Recordo-me em pequeno quando ia para a escola ou regressava e passava pela taberna dos "tio Zé das Iscas" para comer um pão, não com iscas, mas sim com molho das mesmas. Na altura, por 5 tostões comia-se um "paposeco com molho", como dizíamos entre nós. Grande era a satisfação quando com o molho vinha acompanhado de um pequeno bocado de isca!


Eram muitos os que vinham do concelho e não só, provar as iscas feitas pelas sábias mãos do Sr. Zé.


Paralelamente a este petisco feito de uma maneira muito especial que as tornava num sabor unico, havia o lado social do Sr. Zé. A capacidade de conversar e manter conversa era também o segredo para muitos frequentarem a sua taberna.


Muitos eram os que recorriam a ele para que uma multa ou outra fosse tirada. Na verdade, os agentes da Brigada de Trânsito frequentavam muitas vezes este espaço e o Sr. Zé das Iscas era o intermediário para que essas multas fossem retiradas.


Nos últimos anos de vida, as suas pernas começavam a falhar mas mesmo assim, recordo as visitas que fazia a meu padrinho e tio,o saudoso Pe. Clemente, também ele com problemas semelhantes. Estes valores da amizade tornavam-no uma pessoa querida por todos.


São estas pessoas, estes petisco e estes espaços que devem ser recoradados, pois também eles fazem parte do património comum do concelho.


domingo, 2 de dezembro de 2007

Apostar no ser humano para ganhar o desenvolvimento



Eis mais uma das ruas da minha terra. Por ela, foram muitas as gerações que por lá passaram. Neste balcões, no Verão, era comum as pessoas sentarem para "apanharem a fresca". Na minha infância sentei-me muitas vezes nestas escadas, ouvindo histórias dos mais velhos. Eram momentos únicos: escutar aqueles que eu considero "bibliotecas vivas". Hoje, este ritual vai sendo ultrapassado pela TV e internet. Muitos destes seres humanos já não estão entre nós. Também eles tinham muitos sonhos, alguns dos quais não conseguiram realizar.


Quantas vezes esses sonhos foram castrados, só por causa do medo de arriscar, e de não acreditar!

Reflectindo acerca da sociedade e da personalidade das gentes das terras de Algodres, onde me incluo eu próprio, fico com a sensação que, por vezes, nós, devido ao contexto em que estamos inseridas, não acreditam nas potencialidade que possuimos. Considero que há toda uma cultura tão enraizada, com muitos anos que faz com que muitos se resignem à situação em que se encontram. À semelhança da Idade Média em que o nosso destino estava marcado por Deus de acordo com o berço e por isso não havia nada a fazer. Quem nasceu numa familia dita "nobre" será sempre vista como "o filho do Sr...." e não se olha se o mesmo é competente na profissão que exerce ou se é um cidadão exemplar perante os seus conterrâneos. O mesmo acontece relativamente ao que nasce num berço, cuja familia é considerada humilde. Este é visto como alguém que, à partida, esta limitado ao facto de ter nascido nesse berço e é sempre visto como alguém que jamais chegará longe.Daí, verificarmos que muitas dessas pessoas, fora da sua terra conseguem ser grande empreendedores e muito respeitados nas terras que os acolheram. Penso que é esta abertura que falta e acreditar que o mais importante é a pessoa que cada um é, independentemente da família ou da terra onde nasceu. Com o 25 de Abril, visava-se que este ideal de igualdade e acreditar na pessoa humana fosse uma realidade. Infelizmente, ainda há que levantar algumas barreiras. Até ao nível autárquico, há que sensibilizar as pessoas a acreditarem que são capazes de ter ideias novas e a avançar em projectos diferentes independentemente da família, dos estudos, da terra onde nasceu, etc.

O mesmo deve acontecer a quem escolhe a nossa terra para trabalhar ou a quem regressa depois de alguns anos fora da sua terra, um busca de melhores condições de vida. Estes trazem um potencial que deve ser aproveitado, acolhendo-os e aceitar as ideias novas que trazem consigo.

Num mundo global onde vivemos, cada vez as fronteiras são mais ténues. Nós devemos abrirmo-nos ao mundo com o que somos e acreditando em nós e nas nossas capacidades, independentemente da família, religião, raça, etc. Com o contributo de todos, teríamos uma terra mas desenvolvida.Há que passar de um Teocentrismo para um Antropocentrismo!

BEIRA ALTA: USOS E COSTUMES EM TEMPO QUARESMAL...

"Também durante a quaresma até domingo de Páscoa há o uso de um homem e uma mulher, ordinariamente pessoas solteiras, se mandarem reza...