domingo, 28 de dezembro de 2008

ERA ASSIM O NATAL... Parte II


Entretanto, num alguidar gran­de e de lata, que todos quería­mos segurar, sem deixar espaço para a avó meter os braços, amassavam-se as filhós. Aí, todos davam opinião, a gente crescida —mais um ovo, mais azeite, têm pouco sal... Tapadinhas com um pano branco, ficavam a fintar ao pé do lume, e nós, a guardá-las sem querer arredar pé... Porque seria?
Já noite, a avó, sentada num banco, pano branco no colo, estendia a massa num joelho, levantava-a no ar—era uma roda amarela rendilhada que deita­va na panela com o azeite a
chiar... Ali mesmo, sentados nos banquitos, fingíamos que comía­mos a sopa de bacalhau, aborre­cidos de cuspir as espinhas, e então a minha avó dava licença de começar a comer as filhós — era com sacrifício que se comia uma inteira, enjoados de tanto provar e mexer na massa às es­condidas..
O sono era muito e muito o cansaço de tanto esperar pela Noite de Natal e como se chegava à meia-noite para ir à Missa do Galo não temos disso memória, mas ao toque do sino cada um ia ao seu esconderijo buscar o tostão ou o meio para deitar ao Menino.

domingo, 21 de dezembro de 2008

ERA ASSIM O NATAL ... -Parte I

Há alguns anos, um figueiroense cujo nome desconheço, partilhava no jornal "O Figueirola" o Natal em Terras de Algodres.
Era assim o Natal em casa da minha avó; e talvez fosse assim o Natal na casa da maioria das famílias, àquele tempo.
Alguns dias antes, na nossa rua, só se falava das filhós e da sopa de bacalhau por entre lamúrias e lágrimas, pois eram muitas as faltas, e mais sentidas no Natal que tocava os corações, todos mais queixosos que reconfortados, sobretudo os das mães sem o bacalhau, sem os ovos, sem o azeite...
No dia da Consoada, não sei como nem donde, a minha avó aparecia com um pouco de fermento que andava de mão em mão a ser esticadinho e repartido de modo a chegar para todos os que dele iam necessitando para amassar as filhós.
Logo de manhãzinha fora acender a pinha, como gostava de fazer, a casa duma vizinha que se levantava muito cedo, para com ela acender o nosso lume. O "lume" era assim que se dizia. Também era de manhã que se punha nele a panela de ferro onde se cozinharia a sopa de bacalhau que muitos poucos povos conhecem. Na cozinha era só fumo, não havia chaminé. Nós, sentados de cócaras ou em banquitos, estávamos já a fazer a festa mesmo com os olhos a chorar com a fumaceira. No lume estalavam as "correcodas" que nos saltavam para a roupa e para a panela da sopa. A avó não via, mas ao de cima do azeite boiavam alguns carvões e quando à noite se comia a sopa,lá apareciam eles a bater-nos nos dentes — talvez o motivo porque só muito tarde gostámos da sopa de bacalhau, e há quem ainda não goste.
UM SANTO E FELIZ NATAL
PARA TODOS OS QUE ME VISITAM, ATRVÉS DESTE ESPAÇO!

sábado, 13 de dezembro de 2008

"Ó OLIVEIRA DA SERRA!"


O frio que entretanto vai chegando, para além de me fazer lembrar a época natalícia em Terras de Algodres, recorda-me uma outra actividade a chamada "Vareja da azeitona". Esta não era (é) tão agradável como a primeira. As encostas onde as oliveiras davam à luz as azeitonas eram locais muitas vezes de difícil acesso. As cantorias das mulheres acompanhadas pelo assobio dos homens "lá em cima", transformavam o ambiente sonoro e visual das diversas propriedades. O esforço despendido e a companhia da natureza faziam com que hora de merenda fosse um momento de prazer. No final do dia, vinha o ritual de "erguer a azeitona". Apesar de penoso, era um óptimo exercício físico. O dia terminava com o regresso á "aldeia linda" guiados pelo burrito que entretanto transportava o "fruto do trabalho".

domingo, 7 de dezembro de 2008

ENERGIA ÉOLICA, O NOSSO PETRÓLEO


Num mundo em que cada vez mais se olha para a necessidade de arranjar energias alternativas às tradicionais, podemos dizer que no que diz respeito à energia eólica poderíamos ser "As Arábias" deste país à beira mar plantado, metaforicamente falando. Hoje, a encosta da Serra da Estrela encontra-se povoada de intrusos que apesar de ferirem a paisagem são uma das opções para o desenvolvimento do interior.
E as "Terras de Algodres" não possuem uma geografia propícia a este tipo de energias? Se sim, haverá algum projecto na divulgação desta mais valia para o concelho de Fornos de Algodres?
Mais uma vez, considero que este vertente geográfica, aproveitada para este tipo de projectos, bem com a vertente turística poderíam ser dois motores no desenvolvimento desta terra.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

IGREJA PAROQUIAL DE FIGUEIRÓ DA GRANJA


Com esta novas tecnologias, é possível divulgar além fronteiras o nosso património. É isso que tenho procurado fazer com ajuda da obra "Terras de Algodres" de Mons. Pinheiro Marques.

Neste mês, apresento a nossa belíssima igreja paroquial, onde fui baptizado, que possui um interíor ainda mais magnífico.

A foto irá permanecer ao longo do mês, no espaço "Em Dezembro, uma imagem, mil palavras!"

Com a porta principal virada ao poente, está situada na extremidade nordeste da povoação dentro dum adro espaçoso.

O templo primitivo, talvez da época da instituição da igreja, no século XII, deve ter sido muito simples, porventura de estilo clunisiano e românico, que é o da igreja do convento cisterciense de São João de Tarouca, a que pertencia. (...)

À direita, justa-posta à igreja, ergue-se a nova tôrre, de 22m de altura, construída a expensas da freguesia com um pequeno subsídio do Estado, em 1938.

In Terras de Algodres

Mons. Pinheiro Marques

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

D. ISABEL MATOS E AS ARTES DECORATIVAS


Nas nossas terras há gente possuidora de grandes talentos que deveria merecer mais atenção e divulgação da sua arte. Hoje queria destacar a pessoa da D. Isabel Matos que, depois de alguns anos emigrada em França, regressou a Figueiró onde tem participado muito activamente na vida comunitária. Possuidora de mútiplos talentos, queria destacar a sua "menina dos olhos", as "Artes decorativas" onde ela é mestre. São muitos os trabalhos realizados com materiais diversos, conforme se pode verificar na foto que apesar de ter 10 anos confirmam a sua veia artística. No âmbito do Ensino recorrente, deu formação nesta área a jovens e menos jovens da nossa terra.

A imagem de uma terra passa também pela divulgação dos rostos que se destacam nas várias áreas quer no passado quer no presente!

domingo, 16 de novembro de 2008

A ARTE POPULAR EM MUTAÇÃO!



Foi com alguma surpresa que verifiquei este novo "monumento" a norte do termo da freguesia, alguns metros antes de se cortar para o Castro de Santiago. Este cruzeiro, penso eu, encontrava-se junto a um caminho rural que fazia ligação do largo do Outeiro à "Carvalha". Não sei quais foram os critérios que estiveram na base desta mutação. Se o objectivo era dar mais visibilidade a esta arte popular, haveria outros locais na freguesia onde essa visibilidade poderia ser maior!... Todavia, quero acreditar que foi com as melhores da intenções que se fez esta mudança. De certeza que houve algum estudo, por parte de historiadores e profissionais ligados à história da arte. Na minha opinião de leigo na matéria, considero que, só em caso de degradação e risco de roubo se devem retirar estes objectos artísticos dos seus locais originais!

domingo, 9 de novembro de 2008

A VARIANTE


Com o melhoramento da estrada nacional 330 e com a nova variante, Figueiró ficou a ganhar. O trânsito que actualmente atravessa a freguesia é diminuto. Este facto torna a nossa aldeia ainda mais bonita e mais ecológica. Há a salientar positivamente o facto de terem substituído o alcatrão pelos paralelos, transmitindo assim uma imagem mais típica de uma aldeia beirã.
A abertura desta nova variante deveria também servir para abrir rasgos no desenvolvimento, a começar nos espaços limítrofes a esta.
Como já foi referenciado neste e noutros blogs, só é pena que não tivesse havido pressão política para que se construisse uma saída da A25 para esta estrada nacional o que iria valorizar muito mais a nossa terra e a de concelhos limítrofes.

sábado, 1 de novembro de 2008

UMA HISTÓRIA, UMA MENSAGEM


"A festa da aldeia realizava-se todos os anos em Junho. Este ano, o poder local rapidamente se disponibilizou para liderar este evento. As boas relações entre poder e igreja permitiam um casamento feliz.
O Sr. Bernardino liderava a Junta desde o 25 de Abril, há 20 anos. O tacto político que verdadeiramente possuía, tornavam-no respeitado porque temido. Na sua vida profissional não triunfara. Possuira um pequena empresa de madeiras que rapidamente foi à falência. A sua prima do coração era uma assídua da igreja. Por isso, funcionava um pouco como a assessora para os assuntos religiosos. Na verdade, a sua função era demasiado importante para a permanência no poder.
A reunião era no cartório do Sr. Padre Jorge.
- Boa noite, Sr. Abade!- saudou o Presidente da Junta.
- Ora viva! Com vai o governo da nação, melhor, da freguesia? - perguntou o padre.
-Muito trabalho! Para se contentar o povo, é necessário fazer mais malabarismos que o circo do Zé Castrim! - brincava o autarca.
-As eleições aproxima-se! Há que começar a trabalhar!- aconselhava afavelmente o abade.

- Está tudo controlado! - exclamava o representante da freguesia.
- Não diga isso! Olhe que o seguro morreu de velho.
- acautelava o sr. abade.
- Não há ninguém que tenha a coragem de me enfrentar! Tenho tudo nas minhas rédeas, não é Sr. Feliciano?- perguntou o presidente ao tesoureiro da Junta, o Carlos.

- Tem sido esse o segredo para ganhar as eleições. Os potenciais candidatos fogem logo. Por isso, tem sido um belo passeio, a ida à urnas. - concordava o fiel tesoureiro.
- Ouvi dizer que este ano vai ser diferente! A oposição está a organizar-se.
- alertava o Padre.
- Isso acontece sempre mas na "hora h" desistem!
- Ria-se o Sr. Bernardino.
- Olhe que não! Este ano eles vão lá!

O Presidente da Junta ficou tenuamente pensativo mas rapidamente passou ao que interessava: a festa na aldeia, como preparação para ganhar as eleições. Este ano a festa em honra de São Pedro tinha que arrasar!..."

domingo, 26 de outubro de 2008

RECUPERAR PARA SERVIR


Cada vez mais, vão surgindo nas janelas das casas das nossas aldeias a palavra "Vende-se". Em Figueiró, e perto da minha rua, são várias as que se encontram nessa situação. Por vezes, vão caindo aos poucos, já que o comprador desejado não surge. Será que não há qualquer programa governamental ou camarário que incentive à compra e conservação destes imóveis?
Por vezes, surgem alguns imóveis que pela sua localização e pela sua história poderiam e deveriam ser adquiridos pelas Câmaras e Juntas para aí colocar serviços de interesse público (sede da Junta, museu, pequena casa da saúde, casa da juventude,etc). Por vezes, talvez ficasse mais barato do que construir de raíz...
A casa representada na imagem, se estivesse à venda, aparentemente (não conheço por dentro), não seria um belo local para colocar a Sede da Junta de Freguesia de Figueiró da Granja? Encontra-se junto ao Pelourinho e à Capela do Mártir S. Sebastião. Associado a esta localização, há a realçar a estrutura e beleza desta casa de pedra e o facto do trânsito ser pouco, devido à variante. É uma opinião, talvez utópica, mas nada mais que isso...

sábado, 18 de outubro de 2008

MUSEU DE ARTE SACRA EM FIGUEIRÓ


Por iniciativa do Pe. Virgílio Marques, meu antigo colega de seminário e actual pároco de Figueiró, hoje esta freguesia pode orgulhar-se de ter um pequeno museu de arte sacra. Em boa hora, foi feita a recolha de vários elementos de cariz religioso que havia na sacristia e na casa paroquial. Depois de algumas adaptações na chamada "sala de reuniões", esses objectos, após catalogação, foram colocados nesse mesmo espaço em expositores para serem apreciados e estudados. Paramentos antigos, crucifixos, imagens, livros, estátuas em madeira são alguns dos motivos de interesse que este local oferece.

Urge divulgar este espaço e colocá-lo no roteiro do vasto património concelhio.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

LAGE DA BRÁZIA


Há sítios na nossa terra que devido à sua beleza merecem ser recordados e divulgados. Mons. Pinheiro Marques descreve-nos com uma grande sensibilidade o lugar bucólico de "Lage da Brázia". Como já referi em artigos anteriores, poder-se-iam fazer belos percursos pedestres pelas encostas e vales da nossa terra.

"No sítio, antigamente chamado Barrocal do Outeiro da Boiça, a que hoje se dá o nome de Lage da Brázia, descobre-se também um panorama encantador. O espectáculo é deslumbrante de beleza incomparável; dir-se-ia, uma visão fantástica. Do alto do rochedo, onde se chega sem esforço, o terreno quebra-se, quase a prumo, sobre o vale, onde, entre prados esmaltados de verdura, desliza o ribeiro da Carvalha, ladeado de freixos e amieiros, que se remiram na cristalina corrente.

Céu diáfano e leve, ar translúcido, impregnado do perfume ácre e resinoso dos pinheiros e do odor suave e doce das vinhas; a paisagem, toda nitidez e claridade, dum enternecedor bucolismo, é cheia de cor, resplandecente de sol, cheia de vida; cenário maravilhoso, como num sonho feérico de fadas!

Aqui e além, nas assentadas dos lameiros, homens de trabalho labutam infatigáveis na sua faina agrícola. Os engenhos chamados picanços, como cegonhas de longo colo, gemem ao impulso vigoroso de braços musculosos, erguendo-se e abaixando-se em movimentos rítmicos, a extrair a água dos poços, como ave sequiosa levantando e abaixando a cabecita a beber à beira dum regato."

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

UMA PINTURA COM PALAVRAS DE UM AMANHECER EM TERRAS DE ALGODRES

Ontem, talvez muitos de nós tenhamos vivenciado esta pintura com palavra. Hoje, infelizmente, com a desertificação do interior já começam a ser raros estes cenários.

Amanhecia na aldeia. Pestana após pestana, a menina do olho do Sol visitava novamente esta terra observada ao longe pela Estrela. Advinhava-se mais um dia tórrido. Por isso, a labuta na terra começava muito cedo. Os homens dirigiam-se para as propriedades, acompanhados pelos burritos que transportariam o fruto do trabalho. Os picanços eram içados vigorosamente pelos braços dos homens. As mulheres, com as saias arregaçadas indicavam o caminho ao líquido que iria refrescar a terra e saciar a sede à preciosa flora. O som dos motores de rega reflectiam o poder económico do proprietário. Ao longe a sinfonia democrática de um melro alegrava o coração dos humanos.

domingo, 28 de setembro de 2008

O "TRALHÃO"


Neste época outonal, recordo os meus tempos de infância pelos montes, vales e socalcos de Figueiró da Granja. A rapaziada juntava-se logo pela manhã "armadilhada" com os "custilos"´(nome dado às armadilhas para apanhar pássaros). No dia anterior, já tínhamos apanhado a "aúde" (formigas com asas) que serviam de isco. Dirigiamo-nos em direcção às propriedades que tinham oliveiras e árvores de fruto para apanhar um pássaro, ao qual nós dávamos o nome de "tralhão" que depois de depenado e frito era um óptimo petisco. A "Costa" era o meu local preferido, já que é aí que os meus pais têm uma pequena propriedade. Como era emotivo colocar as armadilhas debaixo dessas árvores e, aquando das várias "rondas", verificar que tinhamos apanhado "mais um"!

Como nos sentíamos orgulhosos ao entrar na aldeia com os "tralhões" atados uns aos outros formando um cordão que colocávamos ao peito.talvez um acto um pouco cruel, todavia eram momentos de camaradagem e emoção que marcaram a minha infância em Terras de Algodres.

domingo, 21 de setembro de 2008

PODER E RELIGIÃO, UM CASAMENTO PERIGOSO (Parte II)


Na nossa sociedade portuguesa, esta ligação perigosa entre religião e poder político também esteve presente, infelizmente, ao longo da nossa história. Com a inquisição, foram muitos os que assassinaram pessoas em nome de um deus, que não era o Deus do verdadeiro Cristianismo.

Quem não se recorda da sociedade portuguesa antes do 25 de Abril?Também entre nós, muitas vezes, algum poder hierárquico da igreja não teve a capacidade suficiente de colocar em primeiro lugar os valores que o evangelho transmitia ( liberdade, solidariedade, unidade).

Hoje em dia, é importante que os homens e mulheres que lideram comunidades cristãs resistam aos interesses e pressões que os líderes políticos fazem, já que a razão da sua existência é outra. Já há 2000 anos, Jesus Cristo estava ciente da necessidade de distinguir muito bem estes dois tipos de poder:" A Deus o que é de Deus e a César o que é de César".

A maior parte das vezes, os políticos dão por um lado na esperança de virem a receber por outro, pois estão cientes da importância que a religião tem para as pessoas. Na verdade, são essas mesmas pessoas que lhes irão dar os votos aquando das eleições. Por isso, "colam-se" a tudo aquilo que é sagrado. Por vezes, a religião coloca-se, inconscientemente, ao serviço dos interesses temporais, em detrimentos dos espirituais.

A fronteira entre estes dois tipos de poder, por vezes, pode vir a tornar-se muito ténue.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

PODER E RELIGIÃO, UM CASAMENTO PERIGOSO (Parte I)


As notícias de ataques terroristas por motivos religiosos que nos entram todos os dias em casa através dos meios de comunicação social, devem levar-nos a uma reflexão sobre o relacionamento que deve existir entre poder temporal e poder religioso.

Na verdade, verificamos que o poder da fé, quando é mal interpretado, pode ser trágico para a humanidade. Em função de um "pseudo-deus" fazem-se as coisas mais bárbaras para a humanidade.O "11 de Setembro" é um exemplo ainda bem presente para todos. O racional deixa de funcionar. Os líderes religiosos que são ao mesmo tempo líderes políticos, cientes desse poder da fé, procuram interpretar os textos sagrados de acordo com os seus interesses pessoais. Não é por acaso que existe falta de escolaridade nessas sociedades. A esses líderes não lhes interessa que as pessoas se cultivem e pensem pelas suas próprias cabeças.

A falta de escolariedade e de cultura bem como a limitação e controle dos meios de comunicação social são estratégias que alguns líderes utilizam para levar o povo a agir de acordo com os seus interesses. Infelizmente, esta mescla entre religião e poder temporal ainda é uma realidade.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

NOSSA SENHORA DE FIGUEIRÓ


A vida e a história de uma comunidade intemporalizam-se através dos monumentos e esculturas que permanecem ao longo das várias gerações.
Hoje queria referenciar a imagem de Nossa Senhora da Graça que se encontra na frontaria da igreja paroquial. Para muitos, é mais uma imagem, desconhecendo o seu valor histórico. Para que o tempo não apague o seu simbolismo e a sua história, eis as palavras de Mons. Pinheiro Marques em Terras de Algodres acerca da mesma:

É de presumir que seja desse tempo(1170) a imagem da Padroeira, Nossa Senhora de Figueiró, mais tarde chamada Nossa Senhora da Graça, que durante muitos séculos esteve no trono do camarim e agora está colocada no seu nicho, na frontaria da igreja.
E esta hipótese é tanto mais admissível quanto é certo que a velha imagem é uma escultura gótica, em pedra, representando a Virgem amamentando o Menino, corôa baixa em torno da cabeça, segurando os cabelos caídos sôbre os ombros, roupagem de linhas sóbrias.
(...) é uma escultura antiquíssima, de alto valor histórico que durante mais de 400 anos foi venerada sob a invocação de Nossa Senhora de Figueiró."

terça-feira, 2 de setembro de 2008

QUEM CANTA AS NOSSAS CANTIGAS?


Um outro elemento importante na cultura dos povos é a sua música e as suas cantigas. Estas serviam muitas vezes de bálsamo para os homens e as mulheres que trabalhavam as terras. Li numa jornal regional que em Aguiar da beira foi criado um grupo que tem feito recolha e divulgação da música popular do seu concelho. Em Terras de Algodres, verifica-se que este aspecto da cultura popular não está a ser explorado. Os ranchos folclóricos foram desaparecendo. Há dez anos atrás, em Figueiró, começou por aparecer um grupo de música popular que rapidamente se extinguiu. As "politiquices baratas", muitas vezes, só destroem aquilo que é essencial. Para além de "Os Capelenses" não sei se existe mais algum grupo de música popular em "Terras de Algodres".

Antigamente, no Rancho Folclórico de Figueiró da Granja, liderado pelo Sr. Albano Oliveira cantava-se assim:

O meu Coração é Terra


O meu coração é terra

Hei-de o mandar lavrar

Semeá-lo de desejos

de quem por mim perguntar.


Ref:

Toma lá dá cá

Dá cá toma lá

O meu coração

Arrecada-o lá.


Dei um ai, tu não ouviste

Dei outro não deste fé

O meu coração é teu

O teu não sei de quem é.


Ref.


Ai, ai, meu amor ai, ai

Quem der um ai, alivia

Em certas ocasiões

Se não desse um ai morria.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

FESTA DO CAMPO 2008



Irá decorrer no próximo fim de semana, no Campo da Cruzinha, em Figueiró da Granja, a denominada "Festa do Campo". Este é um evento que pretende ser um momento de encontro entre os figueiroenses residentes e aqueles que nesta altura visitam a sua bonita terra natal.
Parabéns aos mordomos que se empenharam neste projecto, não deixando que esta festa morresse.

Para mais informações visite o blog http://festadocampo.blogspot.com/.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

RAZÕES PARA A PARTIDA


Esta é um época em que muitos dos nossos emigrantes regressam à terra mãe para matarem saudades da mesma e dos seus entes queridos.
Num tempo em que a desertificação do interior é uma realidade, poder-se-á perguntar se a principal causa da saída de muitos conterrâneos da sua terra se deve simplesmente a uma questão de busca de melhores condições de vida, isto é uma razão de carácter económico. Não tenho dúvidas que antigamente esta era a causa principal. O povo diz que "o dinheiro não dá a felicidade mas ajuda". Eu concordo com a sabedoria popular. Este "ajuda" funciona como um complemento. A felicidade pode encontrar-se, muitas vezes, simplesmente com "o pão nosso de cada dia". Hoje pode haver outras razões que leva à partida. Muitas vezes verifica-se um mal estar social que leva muitos a desiludirem-se com algumas gentes e instituições das suas terras. As "guerras" mesquinhas de carácter político, social e outras leva a que muitos que gostariam de contribuir para o progresso da sua terra se desiludam e partam. Os preconceitos e o conservadorismo exagerado levam a que muitos partam.
Crie-se um ambiente propício ao bem estar interior e verificar-se-á menos "partidas" do Interior para o Exterior.
Votos de umas óptimas férias, em especial, para os emigrantes das Terras de Algodres!

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

O RELVADO


Em tempo de férias, não há como recordar momentos e espaços da nossa infância onde fomos felizes. Hoje queria recordar " O Relvado". Era este o nome dado um espaço localizado à entrada de Figueiró. Era aqui que a rapaziada da minha infância rompia os sapatos, jogando à bola, num campo deveras irregular mas diferente dos outros todos: tinha relva, ou melhor erva. O nome "RELVADO", baptizado por nós, provinha desse facto. As balizas eram feitas com duas pedras. Não é por acaso que o futebol é o jogo mais democrático, pois todos podem jogá-los sem grandes gastos: um campo, uma bola, duas balizas e jogadores. Jogávamos diariamente, independentemente das condições atmosféricas. Por vezes era necessario ir buscar a bola ao cimo das oliveiras ou ao fundo do lameiro, tarefa dos mais novos. De vez em quando, lá se ouvia voz de uma mãe em busca do seu petiz. O espírito de camaradagem era uma realidade.

Pode haver bons campos de futebol, com óptimos pisos e com balizas muito coloridas.. Se não houver espírito de amizade que una os seus elementos, esses espaço, mais cedo ou mais tarde, serão condenados ao abandono e à própria detrioração.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

UMA HISTÓRIA INSPIRADA EM TERRAS DE ALGODRES NOS ANOS 60



Localizada temporalmente nos anos 60 e espacialmente em Figueiró da Granja, esta história da autoria de um leitor deste blog, revela uma grande ternura, materializada através de belos aspectos literários. Por essa razão, ousei fazer um post da mesma.
Em tempo de férias, leia e viva esta pequena história onde podemos verificar que os interesses de uma criança são bem divergentes dos interesses dos adultos.
Uma Bela Ruiva
Conheci-a quando, no café Central e a preto-e-branco, o Homem chegou à Lua.Era um espanto: linda de ruiva e sardas enormes, espertíssima e divertida.Entre a Ciência e Ela, não hesitei: Ela.A tarde inteira, juntinhos, nas escadas do alpendre, entre olhares, festinhase tabletes «Regina» (de cinco tostões) aos quadradinhos partilhadas.De costas para a NASA, declarei-me «melhor amigo d´Ela».O casal «de idade», quatro degraus acima, testemunha.A estridente birra dos meus sete anos e a evidente paixão fulminanteconvenceram, à experiência, a bênção da minha mãe.Em apoteose, partilhada com Neil Armstrong, trouxe-a para casa.A felicidade durou o resto do Verão.Até à abertura oficial da caça com o aparecimento do legítimo a declarar-lhe amor eterno e a reclamar pertença.Nunca mais vi a minha bela «Laika», cadela perdigueiro.Ao que parece, o belo alpendre também desapareceu.Talvez alguém, por celeste prerrogativa, o tenha reclamado.Imagino eu.


domingo, 3 de agosto de 2008

RECORDAR FÉRIAS DESPORTIVAS 99




Em tempo de férias, urge encontrar meios de ocupar a juventude local.
Aquando da passagem pela Associação Recreativa e Cultural de Figueiró da Granja, recordo uma actividade denominada "Férias Desportivas" que aliava o convívio à prática desportiva (não tenho a certeza se hoje esta actividade ainda permanece!). Este evento realizava-se na quinta do Seminário de Fornos sob a forma de acampamento.Eram muitas as actividades realizadas desde a canoagem, a passeios de bicicleta, prática desportiva no pavilhão de Fornos, passeios culturais, visionamento de filmes no cinema da vila, etc.
O rio Mondego era um dos locais eleitos para as múltiplas actividades realizadas.
No último dia, convidávamos os pais dos jovens, bem como os representantes das entidades que nos apoiavam e, "à volta da mesa", passávamos uma noite muito agradável.
De realçar que este projecto teve sempre todo o apoio das entidades locais (Câmara, Junta, Bombeiros, Seminário, GNR, Centro de Saúde, etc.) bem como do IPJ.
Apesar do grande esforço despendido, no final, sentíamo-nos compensados por verificar que a amizade e a unidade entre a juventude era cada vez maior.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

UMA TERRA COM FUTURO DEVE ABRIR-SE AO EXTERIOR






Na passada semana, no âmbito de uma geminação entre uma freguesia de Viseu (S. João de Lourosa) e uma localidade francesa (Le Cerqueux), tive oportunidade de contactar com a realidade física e social francesa. Esta geminação, apoiada pela UE, possibilita a troca de experiências a vários níveis entre dois povos diferentes mas cada vez mais próximos, num mundo global em que hoje nos encontramos. A título de convidado, pois ia integrado no grupo de musica do qual faço parte "AD LIBITUM", senti um verdadeiro acolhimento e verifiquei a abertura ao mundo que estas comunidades apresentam. Numa Europa que pretendemos que seja cada vez mais dos cidadãos, urge fazer este tipo de encontros. Em Terras de Algodres, há alguma geminação com freguesias de outros países? Penso que Fornos de Algodres tem uma geminação com uma localidade francesa. Hoje em dia, uma terra com futuro não pode limitar-se a abrir-se e a associar-se com terras vizinhas. Há que fazer encontro além fronteiras e trocar experiências com outras realidades económicas, sociais, culturais, recreativas, etc.

Quanto maior for a abertura de uma terra ao exterior, maior e melhor será o seu desenvolvimento.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

TUDO BONS RAPAZES: G. CAPITÃO DE ABRIL


Há pessoas nas nossas Terras de Algodres, dotadas de grandes capacidades e potencialidades que na infância sonharam em ser felizes. Aos poucos esses sonhos foram roubados.

Com a devida autorização do autor, ousei publicar este texto que relata a infância feliz de um grupo de amigos em Figueiró da Granja, há mais ou menos 40 anos atrás. O Capitão G (provavelmente muitos identificam este pseudónimo) também tinha sonhos que aos poucos, devido às circunstâncias da vida, lhe foram retirados. Humanidade e literariedade resumem este belo texto que relata um pouco a sociedade figueiroense na década de 70.Obrigado, caro anónimo por esta partilha!

Até entrar na escola primária o mundo inteiro era o meu quintal, entre muros altos e oliveiras, laranjeiras, uma figueira e um abrunheiro; percorri de triciclo as veredas enormes de flores e couves a perseguir pardais e libelinhas e a ser perseguido por Jesus, Maria e José, garantia de lugar no céu; também a aprender a ler, escrever e contar, para não ficar parvo; e depois de almoço, contrariado, fazia uma salutar sesta de «só cinco minutinhos», até ao lanche.Era um mundo governado por Salazar e pela tia A.Iniciei-me, portanto, nas amizades quando entrei para a 1ª classe, com o fascinante G. com quem privei dos sete aos doze anos.Com ele e outros ganhei competências essenciais de vernáculo e camaradagem, as Aventuras de Tom Sawyer e Huckleberry Finn e os desamores da menina de «Uma Casa Na Pradaria.»G. encostou-se ao vinho aos 13 ou 14 anos, onde ficou a vida inteira, e só a sua extraordinária robustez permitiu que a bebedeira envelhecesse até o fígado patinar no Outono passado.Recordo, especialmente, o Verão Quente e a Nossa Tropa, com a recruta ganha na «ferraria», nas «poldres» e «catraia», à cata de bufos, pides, latifundiários e demais fascistas, por tabernas e mercearias de Figueiró, com o revolucionário propósito de um divertido enxovalho. Reencontrei-o em Setembro último e, amarelo de icterícia, avisou-me grave: «...isto...desta vez...»Desta vez e ao contrário de todas as outras, não houve Verão Quente, «Uma Casa Na Pradaria» ou Mark Twain.Voltarão, certamente.Um abraço, Capitão G.

domingo, 13 de julho de 2008

Depois do Jornal "O FIGUEIROLA", porque não um Jornal "TERRAS DE ALGODRES"?


Há 9 anos atrás, o Jornal " O Figueirola", orgão oficial da Associação Recreativa e Cultural de Figueiró da Granja, noticiava assim as II Jornadas Recreativas e Culturais de Figueiró da Granja.
Este jornal, para além de dar notícias das actividades da associação, era um meio de transmitir as vivências em Figueiró da Granja (nascimentos, casamentos, baptizados, "notícias da nossa terra", etc.). Possibilitava também a troca de ideias sobre os mais variados temas. Recordo os artigos de opinião sobre a Regionalização do Dr. José Miranda, Presidente da Câmara (PSD) e do Eng. Carlos Costa (PS), então vereador. As participações do Jornalista aposentado de "O Comércio do Porto", O sr. Aníbal Pacheco bem como do Dr. Veiga que infelizmente já não se encontra entre nós. A nossa cultura também não era esquecida com alguns excertos da obra "Terras de Algodres". Alguns reparos também eram feitos, como foi o caso da capela da Copacabana que então estava totalmente em ruínas mas que hoje está recuperada.
Penso que um projecto destes, a nível concelhio (com correspondentes das diversas freguesias), tornaria um concelho mais unido, possibilitando a divulgação de tudo o que de bom se faz e existe em Terras de Algodres bem como a promoção das suas gentes e uma maior ligação com todos aqueles que apesar de distantes, sentem a sua terra.
Daria a possibilidade às diversas forças políticas locais (de uma forma mais visível) manifestarem as suas ideias e os seus projectos. Com isso, o cidadão estaria melhor informado para votar de acordo com a sua consciência aquando das eleições.
A democracia no concelho ficaria a ganhar!
TERRAS DE ALGODRES seria um nome interessante para um projecto como este.
Haja alguém que lidere um projecto desta índole e terá aqui um colaborador, se assim o desejar!



terça-feira, 8 de julho de 2008

AS JORNADAS RECREATIVAS E CULTURAIS DE FIGUEIRÓ DA GRANJA ONTEM E HOJE

ONTEM
HOJE
Tive conhecimento, através do site da Câmara Municipal de Fornos de Algodres http://WWW.cm-fornosdealgodres.pt/nt_076.php, que irá realizar-se no próximo fim-de-semana as IX Jornadas Recreativas e Culturais de Figueiró da Granja. Esta é uma das actividades que a mim me diz muito, pois iniciou-se aquando da minha passagem como vice-presidente da direcção (I Jornadas Recreativas e Culturais) e depois como Presidente (II Jornadas), etc. da Associação Recreativa e Cultural de Figueiró da Granja. Verifico que as actividade são muito semelhantes às das segundas Jornadas, como se constata nos cartazes que no meu tempo eram mais pobres em termos gráficos, pois o dinheiro não era muito, mas rico em termos de expressão artística por parte do João Furtado.
Apesar de não concordar com o rumo directivo que hoje a associação leva, sou daqueles que coloco em primeiro lugar a minha terra e faço votos par que estas jornadas tenham sinceramente o êxito desejado.Esta é uma actividade única no concelho, pois permite, através do cortejo etnográfico, transmitir o viver e o sentir das gentes de Figueiró da Granja e das Terras de Algodres. Daí seria óptimo alargar este projecto a nível concelhio, fazendo participar todas as freguesias num belo cortejo na sede do concelho (Dia do feriado municipal, por exemplo). Cada vez mais, o nosso concelho necessita de actividades com raízes, que venham do povo genuíno.
Já lá vão 10 anos!Recordo as dificuldades que tivemos que enfrentar para realizar este projecto!Não foi fácil a vida da associação nessa época! Muitos que criticaram este evento estão hoje na "primeira fila"!Hoje sinto a compensação de verificar que este é um projecto único no nosso concelho com um potencial enorme.
Qualquer associação só tem futuro se não se esquecer do seu passado, de todos aqueles que no passado deram o seu contributo. Para além de mim, recordo outros elementos das equipas que estiveram no início destas jornadas: Marco Santos, Sérgio Carvalho, Álvaro Santos,Lurdes,Arminda, Cristina, Nelso, Gina, Mira, Cândido, Carlota, Lídia, João Furtado, José António Neves, Tó Matos e esposa bem como toda a juventude e população de Figueiró da Granja.
Para todos os que hoje estão na preparação destas IX Jornadas Recreativas e Culturais de Figueiró da Granja, desejo os maiores sucessos, fazendo votos para que o vosso trabalho genuíno seja compensado pela participação e alegria do povo e não se transforme num evento de campanha a que por vezes outros se associam.
Uma referência para o nosso conterrâneo Albino Cardoso que no seu espaço http://www.aquidalgodres.blogspot.com/, apesar de distante fisicamente, tão bem divulga a nossa terra e este evento em particular.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

UMA AGUARELA ANTIGA DE FIGUEIRÓ DA GRANJA


Confome já referi em artigo anterior, os familiares do Prof. Pinheiro Marques, há alguns anos atrás, juntaram vários textos poéticos da sua autoria (muito pessoais) e fizeram uma publicação muito reservada.
Na contra-capa, foi colocada esta pintura que penso ter sido da autoria do mesmo Professor.
Quem hoje passar em Figueiró da Granja, já não encontrará este belo alpendre também referenciado por Mons. Pinheiro Marques na sua obra "Terras de Algodres".

quarta-feira, 25 de junho de 2008

O RIO DA MINHA TERRA, O MONDEGO


O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.

O Tejo tem grandes navios
E navega nele ainda,
Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,
A memória das naus.
O Tejo desce de Espanha
E o Tejo entra no mar em Portugal.
Toda a gente sabe isso.
Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia
E para onde ele vai
E donde ele vem.
E por isso porque pertence a menos gente,
É mais livre e maior o rio da minha aldeia.

Pelo Tejo vai-se para o Mundo.
Para além do Tejo há a América
E a fortuna daqueles que a encontram.
Ninguém nunca pensou no que há para além
Do rio da minha aldeia.

O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.
Quem está ao pé dele está só ao pé dele.
Alberto Caeiro

À semelhança do que diz Alberto Caeiro, heterónimo de Fernando Pessoa, qualquer um que sinta o berço que o viu nascer considera o rio da sua terra como o mais belo de todos. Na minha terra, é o Rio Mondego que passa junto aos seus pés, metaforicamente falando, sendo por isso o mais belo. Nesta época de Verão, como sabiam bem os banhos nas águas das "Poldres", "Ferraria", "Ponte de Juncais", nome de locais por onde o rio passa. Muitas vezes, a não autorização dos pais tornavam estas aventuras ainda mais emotivas. Outras vezes, arranjava-se uma cana, colocava-se fio, anzóis e uma rolha a servir de bóia, grande parte das vezes para não pescar nada. Todavia, a camaradagem dos amigos aliada à expectativa do peixe a "picar", ouvindo o som da água e a aragem do rio, tornaram esses tempos de infância e adolescência inesquecíveis.
" O Rio da minha terra não faz pensar em nada.
Quem está ao pé dele está só ao pé dele."

quinta-feira, 19 de junho de 2008

O S. JOÃO EM TERRAS DE ALGODRES



Se S. João soubesse

Quando é o seu dia

Vinha do céu à terra

Com prazer e alegria


Eis como Mons. Pinheiro Marques descreve O S. João em Terras de Algodres:

Nas vésperas, os rapazes e até homens casados e mulheres, vão aos montes colher rosmaninhos e bela-luz, que conduzem em molhos e gabelas. À noite, depois da ceia, acendem-se fogueiras na rua, cada um na sua testada, alimentados exclusivamente de rosmaninhos e bela-luz, que inunda de perfume o ambiente. Em volta da mística fogueira armam-se bailaricos e canta-se em honra do santo.

In Terras de Algodres, Mons. Pinheiro Marques
A foto apresenta o convívio que a juventude de então, há dez anos atrás, fazia junto ao pelourinho de Figueiró da Granja.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

DESCENTRALIZAR PARA DESENVOLVER AS TERRAS DE ALGODRES


Figueiró da Granja, a maior freguesia do concelho de Fornos de Algodres e dotada de uma excelente situação geográfica poderia e deveria reivindicar um conjunto de serviços e estruturas para os seus habitantes e para os das freguesias vizinhas (Muxagata, Vila Chã, Sobral Pichorro, Mata, Fuinhas, etc.). Eis alguns exemplos: em vez de se construirem vários polivalentes ao ar livre que pouca utilização têm, porque não construir um pavilhão e se possível com uma piscina coberta que possibilitasse às crianças, jovens e idosos de Figueiró e das outras freguesias uma prática desportiva regular?Figueiró seria o local ideal para a construção de uma escola moderna dotada várias valência onde poderia e deveria ser integrado o tal pavilhão que acolhesse os alunos do 1º e 2º ciclos de parte do concelho. Serviços como os correios, farmácia, extensão do centro de saúde seria opções que dariam melhor qualidade de vida às suas gentes. À semelhança do que existe em Fornos, porque não um Centro Cultural mais perto das pessoas, possibilitando-lhes momentos de cultura e divertimento.
Em suma, Figueiró poderia e deveria voltar a ser a Vila de Figueiró, no sentido de a tornar dotada de mais vida social, possibilitando com isso um maior investimentos por parte dos particulares nesta linda terra, trazendo assim o progresso e um maior desenvolvimento.
Isto só será possível quando houver uma grande unidade dos políticos e gente influente da nossa terra!


quinta-feira, 5 de junho de 2008

A CASA PAROQUIAL DE FIGUEIRÓ DA GRANJA


Há alguns anos atrás, as casas paroquiais encontravam-se habitadas pelos respectivos párocos. Recordo o Sr. Pe. Artur que residiu durante muitos anos nesta casa paroquial de Figueiró da Granja. Penso que esta casa foi dada à igreja pelo Mons. Pinheiro Marques. Há uma certa dívida de gratidão para com ele. Seria importante prepetuar esse facto.
Recordo o Sr. Pe. Artur nestas escadas "fumando um pensativo cigarro", como diria o Eça. Quando aí passávamos, lá tinhamos de fazer o ritual de pedir a benção ao Sr. Abade. Este gesto que hoje considero de subserviência, fazia com que aquele tivesse um certo domínio psicológico sobre os seus paroquianos, assumindo assim um papel fundamental na vida social e política da freguesia.

Hoje, estes espaços, em grande parte das paróquias, passaram a ser locais ao serviço das mesmas. É o que acontece em Figueiró da Granja, onde hoje funciona como centro de catequese e local de reuniões.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

ARRISCAR UMA DERROTA PARA UM DIA ALCANÇAR UMA VITÓRIA


"Quem não se arrisca a uma derrota, jamais alcançará uma vitória". Algures, li esta mensagem e tenho reflectido e constatado que muitas vezes a desertificação no interior e o não desenvolvimento do mesmo resulta deste medo de arriscarmos em projectos e em tomarmos posições diferenciadas dos outros, com medo que esse projecto não venham a ter sucesso ou que as nossas ideias não sejam consideradas. Por vezes, é mais fácil estar no nosso cantinho e não fazer nada por mudar as situações. Fico com a sensação que há medo da novidade dos riscos que essa novidade possa trazer para a situação pessoal e social do ser humano. Daí resulta que a água começa a estagnar, metaforicamente falando, sempre as mesmas pessoas a liderarem os projectos; sempre a mesma cor política a governar e, a determinada altura, começa-se a dar conta que não há novos rostos e a água não se renova, trazendo como consequência projectos e ideias esgotadas há muito. Por isso, poder-se-á concluir que cada um de nós que nasceu, viveu ou vive aí tem uma pequena quota de culpa no "status quo" do interior em geral e das Terras de Algodres em particular.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

UM POSTAL, UMA IMAGEM DA NOSSA TERRA


Há alguns anos atrás, aquando da minha passagem pelos orgão directivos da Associação Recreativa e Cultural de Figueiró da Granja, considerávamos importante divulgar a nossa terra e fazer com que os nossos conterrâneos (e não só) ficassem com uma recordação da mesma. Assim, mandámos fazer dois postais, o primeiro relativo às Jornadas Recreativas e Culturais de Figueiró da Granja e o segundo com uma vista panorâmica sobre Figueiró e sobre a Serra da Estrela. Devido aos poucos recursos que então possuíamos este foi o trabalho possível para divulgar a terra que nos viu nascer. Seria muito interessante que todas as freguesias possuissem uma colecção de postais com o que de melhor aí existe. Este é um trabalho que poderia ser feito pelas associações de âmbito cultural ou então pelas Juntas de Freguesia ou Câmara Municipal.

Nunca é de mais divulgar, nem que seja através de um simples postal, tudo o que de bom existe em Terras de Algodres.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

O ASSOCIATIVISMO, UM COMPLEMENTO NA FORMAÇÃO ESCOLAR



Durante muitos anos, só tinham acesso a uma escolaridade média ou superior, aqueles que provinham de uma família abastada ou, quando isso não acontecia, para muitos o seminário era a solução. Hoje em dia, graças a democratização da nossa sociedade, verificamos que o acesso ao ensino está aberto a quem o desejar, havendo por isso uma maior verdade nas vocações e profissões que as pessoas abraçam. Graças a isso, nas nossas aldeias e vilas, a escolaridade básica e média está generalizada e são já alguns que surgem com as suas habilitações de índole superior.
Paralelamente à formação escolar, há uma outra vertente que complementa a formação da pessoa humana. Esse complemento é feito através da participação activa em movimentos, associações, clubes, grupos de música, etc. Na verdade, é também aqui que os pais devem apostar na formação dos seus educandos. Abrir-lhes as portas para colocarem ao serviço dos seus semelhantes as suas potencialidades e, ao mesmo tempo, receberem os contributos que os outros oferecem.
Nesta formação complementar, há entidades que não deverão fugir às suas responsabilidades, são as entidades oficiais (Governos, Câmaras, Juntas de freguesia, etc). Verificamos, algumas vezes, que para alguns políticos, atribuir este ou aquele subsídios acontece em função do número de votos que daí possam advir. Muitas vezes, o agir político é feito não em função das pessoas mas sim em função da carreira política pessoal. Os nosso governantes, quando atribuem subsídios, limitam-se a gerir o dinheiro que é de todos nós.
As poucas associações recreativas, culturais e desportivas existentes no nosso concelho possuem um papel importante no complemento da formação que os nossos jovens recebem em casa e na escola. Cada vez mais, é importante que elas mantenham a sua autonomia e não estejam ao serviço de outros interesses que não sejam, contribuir para a formação complementar da pessoa humana.

domingo, 11 de maio de 2008

TÓ MATOS, UM EXEMPLO DE DEDICAÇÃO A FIGUEIRÓ DA GRANJA (Partes I e II)


ANTÓNIO MATOS, O EMIGRANTE DESEJOSO DE REGRESSAR

Entrevista ao Sr. António Matos, emigrante em França e tão acarinhado pelas gentes de Figueiró. O se amor pela pátria está bem patente nesta entrevista.

O Figueirola - Em que ano é que foi para França? Que idade tinha?
António Matos - Fui para França em 1977, quando tinha 22 anos.
F. - Qual foi o motivo que o levou a ir para o estrangeiro?
A.M. - Quando casei, a minha esposa já lá estava. Havia dificuldades em arranjar emprego em Portugal e então decidi ir para França.
F.- Antes de ir para a França, o que é que fazia?
A.M.- Fui como voluntário para a Força Aérea, onde estive 3 anos. Aí, fiz parte da banda de música. Recebia um salário muito pequeno, mal dava para os botões.
F.- Após a sua chegada a França, sentiu algumas dificuldades. Quais?
A.M.- No princípio, senti algmas. A principal dificuldade residia no facto de eu não saber a língua francesa. No entanto, estas foram superadas gradualmente por causa do contacto com a minha esposa que já sabia falar a língua e dos contactos no emprego que me obrigavam a falar a língua estrangeira.
F.- Em nenhum momento da sua estadia lhe apeteceu deixar tudo para trás e voltar para Portugal?
A.M. - O primeiro ano foi difícil. Tive de esperar que legalizasse a minha situação em França. Esta só foi conseguida depois de estar um ano na França e depois de ter de ter vindo a Portugal por mais três meses. Só aqui foi possível então arranjar papeis que levei para França para me passarem outros para poder lá estar. Portanto, muitas vezes me apeteceu deixar tudo e voltar para Portugal, pois estive um ano sem trabalhar e se papeis.
F.- Vinha muitas vezes passar férias a Portugal? O seu modo de vida era aqui era semelhante ao de lá? Quais as diferenças?
A.M.- Não, embora no início tivesse dois anos consecutivos sem vir. Aqui tudo era diferente, sentia-me no meu país, fazia o que queria sem dificuldades económicas. Na França, tinha de se levar uma vida mais recatada. E também temos de ver que normalmente as pessoas nas férias não se privam de determinadas coisas. Férias são férias!
F.- Alguma vez pensou ficar pelo estrangeiro, organizar lá a sua vida, e não mais voltar para Portugal?
A.M.- Não! A minha ideia foi sempre regressar, pois é o sonho da maior parte dos emigrantes.
F.- De certo conheceu lá outros casais portugueses. Eles pensam sempre em regressar a Portugal ou conhece alguns casos em que ficam por lá?
A.M. - Alguns ficam por lá para não abandonarem os filhos e estes os estudos. Optam por fazer lá uma casa e fazer lá a sua vida.
F.- Quando estava por lá, o que é que mais lhe lambrava, quando pensava em Portugal?
A.M.- Pensava muito na família, nos amigos e na minha terra: Embora não tivesse nascido em Figueiró da Granja, considero-a a minha terra.
F.- Sem ser a parte monetária, o que é que mais lhe agrada na França?
A.M.- Não tenho saudades de nada a não ser aquilo que ela me proporcionou ganhar.
F.- Sei que tem uma paixão especial pela música. Teve de abdicar um pouco dessa vida para trabalhar em França ou conseguiu conciliar as duas actividades?
A.M. - Consegui ter as duas coisas. Durante a semana, tinha o meu emprego e no fim-de-semana tocava e cantava num bar em Genebra.
F.- Quais os motivos que o levam a regressar?
A.M. - Não contava vir tão depressa mas devido ao meu estado de saúde, vi-me obrigado a regressar.
F.- Se pudesse voltar atrás, teria ido novamente para França? Não foi tempo perdido?
A.M. - Teria ido novamente. Não foi tempo perdido. Aqui, não teria organizadotão bem a minha vida e tenho que lembrar que antigamente, não havia tanto emprego como há hoje em dia em Portugal.
F.- Pensa que se tivesse ficado em portugal, não teria mais saúde e as mesmas condições de vida?
A.M.- Não, de maneira nenhuma.
F.- Descreva-me um pouco a vida do emigrante nos anos 70/80 quando foi para França e agora nos anos 90?
A.M.- Neste momento, há muito mais possibilidades de emigrar. Antes havia era mais oferta de emprego do que hoje. Hoje em dia o desemprego é flagrante, no entanto, há muitas ajudas para estes desempregados.
Para terminar, apenas queria dizer que embora tivesse tido muitas dificuldades no estrangeiro, posso agradecer à França todas as condições favoráveis que tenho hoje em dia.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

TÓ MATOS, UM EXEMPLO DE DEDICAÇÃO A FIGUEIRÓ DA GRANJA (Parte I)


Em Julho de 1999, no jornal "O Figueirola", realizámos uma entrevista (estruturada pela Irene Ferreira) a um conterrâneo que durante anos esteve emigrado em França e sempre nutriu um grande amor por Figueiró da Granja. Actualmente, o Tó Matos como familiarmente é tratado, reside em Figueiró e, desinteressadamente, tem contribuido através da música e da participação em múltiplas actividades, para o bem comum da nossa terra.

Hoje, quero destacar esta personalidade que felizmente ainda está entre nós e que muito tem dado a Figueiró da Granja. É esta entrevista que aqui ousei reproduzir, pedindo, desde já desculpa ao visado, por não ter solicitado autorização para a publicar neste meu espaço.


ANTÓNIO MATOS, O EMIGRANTE DESEJOSO DE REGRESSAR


Entrevista ao Sr. António Matos, emigrante em França e tão acarinhado pelas gentes de Figueiró. O se amor pela pátria está bem patente nesta entrevista.


O Figueirola - Em que ano é que foi para França? Que idade tinha?

António Matos - Fui para França em 1977, quando tinha 22 anos.

F. - Qual foi o motivo que o levou a ir para o estrangeiro?

A.M. - Quando casei, a minha esposa já lá estava. Havia dificuldades em arranjar emprego em Portugal e então decidi ir para França.

F.- Antes de ir para a França, o que é que fazia?

A.M.- Fui como voluntário para a Força Aérea, onde estive 3 anos. Aí, fiz parte da banda de música. Recebia um salário muito pequeno, mal dava para os botões.

F.- Após a sua chegada a França, sentiu algumas dificuldades. Quais?

A.M.- No princípio, senti algmas. A principal dificuldade residia no facto de eu não saber a língua francesa. No entanto, estas foram superadas gradualmente por causa do contacto com a minha esposa que já sabia falar a língua e dos contactos no emprego que me obrigavam a falar a língua estrangeira.

F.- Em nenhum momento da sua estadia lhe apeteceu deixar tudo para trás e voltar para Portugal?

A.M. - O primeiro ano foi difícil. Tive de esperar que legalizasse a minha situação em França. Esta só foi conseguida depois de estar um ano na França e depois de ter de ter vindo a Portugal por mais três meses. Só aqui foi possível então arranjar papeis que levei para França para me passarem outros para poder lá estar. Portanto, muitas vezes me apeteceu deixar tudo e voltar para Portugal, pois estive um ano sem trabalhar e se papeis.


(Continua no próximo post)



quinta-feira, 1 de maio de 2008

RECUPERAR AS CASAS DE ALDEIA PARA TURISMO AMBIENTAL


Desde há algum tempo, tenho focado, neste meu espaço, que se deveria apostar no turismo rural, como forma de desenvolvimento do concelho. A recuperação das habitações nas nossas aldeias poderia ser uma mais valia para chamar as pessoas para o interior.
No Jornal "Diário de Viseu", li esta notícia que vai de encontro com aquilo que considero importante para o desenvolvimento das terras do interior em particular das Terras de Algodres.
Recuperar casas de aldeia para turismo ambiental


"O presidente da Câmara de Vila Nova de Paiva, Manuel Custódio, defendeu a necessidade de recuperar casas em várias aldeias para as pôr à disposição do turismo ambiental, que considera fundamental para a sustentabilidade do concelho.

(...)

O objectivo da autarquia é estabelecer parcerias com privados, individuais ou empresas, para recuperar as casas e as disponibilizar aos turistas."As pessoas estariam verdadeiramente no mundo rural, a verem as cabras a passar pela rua", frisou, considerando esta experiência fundamental sobretudo para as crianças, que muitas vezes "se interrogam como o leite chega às suas mesas".Segundo Manuel Custódio, este desejo de aliar a natureza ao progresso está patente no logótipo de Vila Nova de Paiva, que se auto-intitula de "Capital ecológica"."
"É preciso mais turismo
em espaço rural
A falta de alojamentos das várias modalidades de Turismo em Espaço Rural no concelho de Vila Nova de Paiva foi confirmada por Filipe Carvalho, técnico da Direcção Regional de Economia do Centro (DREC) que trabalha na área de licenciamento e classificação destas unidades.Na região Dão, Lafões e Alto Paiva, a modalidade de Turismo Rural é a que regista maior número de alojamentos, mas está a seguir a tendência nacional de aumento do número de Casas de Campo, menos exigente em termos de funcionamento e que dá mais autonomia a turistas e famílias. "
In Diário de Viseu
Eis uma experiência que poderia e deveria ser materializada no Concelho de Fornos de Algodres!
Haja força de vontade e desejo de arriscar!

quinta-feira, 24 de abril de 2008

DE UMA GRANDE DITADURA A PEQUENAS DITADURAS, MASCARADAS DE DEMOCRACIA


Comemoramos este ano os 34 anos da “Revolução dos Cravos”. A liberdade de opinião e a possibilidade de sermos nós próprios, sem estarmos receosos de represálias de qualquer índole, foram contributos que o 25 de Abril trouxe à sociedade portuguesa.
Como é próprio das revoluções, nem tudo foi positivo. Algumas vezes, o termo “Liberdade” foi deturpado e confundiu-se Liberdade com “libertinagem”. Porém, em termos gerais, podemos considerar que o 25 de Abril trouxe mais benefícios do que malefícios. O desenvolvimento do nosso país é consequência da possibilidade de podermos abrir-nos para o exterior e colocarmos em acção todas as nossas potencialidades. Surgiram múltiplas associações que na sua pureza tinham a função de dar a possibilidade à sociedade civil de materializar as suas capacidades, sem estarem dependentes, em termos ideológicos, de qualquer força política.
Antes do 25 de Abril, uma grande parte dos organismos estavam directa ou indirectamente dependentes de uma ditadura que desejava a bem ou a mal controlar. Assim, os benefícios económicos e sociais eram pertença daqueles que estavam com o regime.
Quem não era a favor do regime e tinha a coragem de pensar pela sua própria cabeça, estava condenado à perseguição, à tortura e, algumas vezes, à morte. Vejam-se personalidades como Dr. Mário Soares, Dr. Álvaro Cunhal, Gen. Humberto Delgado, o bispo D. António Ferreira Gomes, etc.
A democracia era um bem que todos ansiavam e desejavam. A democracia era a chave para o desenvolvimento e para uma sociedade mais justa, com melhores condições sociais e económicas que possibilitariam aos portugueses permanecer nas terra que os viu nascer,
Após estes 25 anos, poder-se-á perguntar se a democracia já chegou a todos os portugueses. Fazendo uma análise generalista da questão, poderemos dizer que vivemos numa democracia. Numa análise mais particular, não haverá ditaduras mascaradas de democracia?
Porque será que o desenvolvimento do interior não se faz? Porque será que cada vez mais as pessoas deixam a sua aldeia e partem em busca de melhores condições de vida? Não tenhamos dúvida, a chave para o desenvolvimento está nas pessoas.
Não haverá receio que o desenvolvimento possa colocar em causa os interesses particulares de alguns? Quantas vezes, esta ou aquela grande empresa poderia vir para o interior e só não se verifica porque não há pressão, pois isso colocaria em causa o domínio total desta ou daquela pequena empresa que ajudou a colocar no poder este ou aquele Presidente da Junta ou da Câmara?
Quantas vezes as pessoas deixam de exprimir aquilo que pensam e aquilo que sentem, pelo facto disso colocar em causa o seu posto de trabalho?
Quantas vezes os novos “pides” aparecem disfarçados de gente de bem?
Quantas vezes as Associações deixam de ser elas próprias para se colocarem ao serviço desta ou daquela força política?
Quantas vezes o “despir a camisola partidária” após as eleições é um mero formalismo retórico que na prática não se verifica?
Dizia o antigo Bispo do Porto, D. António Ferreira Gomes: “De pé diante dos homens; de joelhos diante de Deus”. Esta frase retrata a atitude que todos deveríamos ter. Àquilo a que temos direito, deveremos reivindicar e exigir. Muitas vezes menosprezamo-nos e esquecemo-nos que também temos valor, independentemente do poder económico, família, habilitações literárias, etc.
A região do interior só se desenvolverá quando todos interiorizarmos esta mensagem do antigo Bispo do Porto.
O verdadeiro 25 de Abril só chegará ao Portugal profundo quando os políticos se consciencializarem que todo o seu agir deve ser em função do bem comum e não em função daqueles que votaram neles.
Afinal, de uma grande ditadura, passámos a ter pequenas ditaduras, com a agravantes de estarem mascaradas de democracia.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

NASCEU A MINHA INÊS CONSTANÇA NEVES DE SOUSA CLEMENTE


Há dias na vida de um homem que ficarão eternamente gravados na nossa memória. Hoje é um desses dias: nasceu a minha filha, Inês Constança Neves de Sousa Clemente. Quando tudo parece não ter sentido, surgem estes milagres que nos dão força e nos fazem acreditar que vale a pena viver! Depois de um "príncipe", João Dinis Neves de Sousa Clemente, hoje ganhei uma "princesa".

quinta-feira, 17 de abril de 2008

MANUEL "QUITAS", O SPORTINGUISTA E O ÚLTIMO ARTESÃO


Depois de uma noite negra para o meu Benfica, recordo hoje um figueiroense que já não está entre nós e que amava muito o seu Sporting Clube de Portugal. Estou a falar do Sr. Manuel da Costa Almeida, mais conhecido por "Manuel Quitas". Este era um acérrimo defensor das cores verdes e brancas. A sua capacidade de sociabilidade influenciou muitos a optarem clubisticamente pelo clube pelo qual ele torcia, o Sporting. A sua loja, onde ele exercia a sua profissão (latoeiro), era local de muitas tertúlias, acompanhadas de muitas merendas, onde o futebol era tema central. Recordo os "posters" das equipas do Sporting que ele orgulhosamente apresentava perante os clientes. São estas pessoas que também fazem parte do património local que não deveriam ser esquecidas.

Para além de um grande sportinguistas, foi um grande artesão que, infelizmente, não deixou seguidores na nossa terra. Alguém o denominou como, o último artesão.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

ESPAÇOS DE ENCONTRO, UMA FORMA DE HUMANIZAR


Desde sempre o ser humano necessitou de lugares que possibilitassem o encontro. Já no tempo dos Romanos o"Forum" era o local de encontro para fazer comércio; para rezar e para conviver. Nas nossas freguesias esses locais de encontro deveriam ser actualizados e requalificados. Figueiró da Granja possui vários espaços interessante que poderiam vir a tornar-se o Rossio da freguesia. Veja-se o Largo das Eiras onde, há alguns anos, pela primeira vez, foi aproveitado para uma actividade cultural, aquando das Jornadas Recreativas e Culturais. O Largo do Outeiro é outro espaço interessante em Figueiró da Granja. Paralelamente a estes dois locais, o espaço do Pelourinho, onde actualmente há pouco movimento, devido à variante, deveria possuir condições logísticas e motivos de interesse que levasse a que as pessoas convergissem para aí.
Considero que cada vez mais essas pracetas são importantes numa sociedade individualista onde o ter se sobrepõe ao ser. Construir espaços para humanizar é algo para o qual devemos todos estar sensibilizados.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Uma varanda sobre o Vale do Mondego e sobre a Serra



Cada vez mais, todos estamos de acordo que a alternativa para o desenvolvimento das Terras de Algodres passa pela vertente turística. O próprio executivo Camarário diz que tem projectos para esta área. Mais uma vez venho realçar a necessidade de divulgar o Castro de Santiago. Este possui condições para a construção de um empreendimento turístico, como acontece na Senhora do Castelo em Mangualde ou em outros locais com paisagens deslumbrantes.
Na encosta do Castro de Santiago encontramos este espaço que a foto 1 apresenta e que poderia ser aproveitado para a construção do tal empreendimento turístico. É evidente que em princípio não cabe à Câmara a sua construção. Todavia, esta poderia e deveria divulgar e criar condições que motivasse os investidores, tendo em conta a especificidade desse local. Seria uma bela varanda sobre o vale o Mondego e sobre a Serra da Estrela!